Semana Veedha – O mundo em “inflação”, pronto para mergulhar em juros!

Os principais Bancos Centrais do mundo estão alterando a condução da política monetária para combater a inflação. Além do Federal Reserve, que subiu os juros para um intervalo entre 1,5% e 1,75%, outras instituições pela Europa promoveram elevação dos juros. O Banco Central da Suíça subiu a taxa de juros de -0,75% para -0,25%, o primeiro aumento desde 2007. O Banco Central da Inglaterra (BoE) subiu os juros, pela 5ª reunião consecutiva, para 1,25%. Em breve será a vez do Banco Central Europeu.

Os juros no mundo…

O mercado financeiro, ou melhor, os investidores estão de olho no risco de recessão econômica diante do aperto monetário nas principais economias do mundo. A realidade para o próximo semestre será de juros mais altos, com autoridades ainda lutando contra a inflação e a consequência de esfriar a atividade econômica.

O risco de recessão induzido pelos Bancos Centrais derrubou as bolsas em NY a níveis do fim de 2020. As perdas nas bolsas dos EUA variam entre 16% e 30%. Na Europa, a média de perdas ronda os 20%. O mercado acionário mundial perdeu US$ 21 trilhões de valor em 2022, voltando para o patamar de US$ 100 trilhões.

O valor de mercado total das criptomoedas, por exemplo, caiu mais de US$ 200 bilhões em pouco mais de três dias e perdeu a marca de US$ 1 trilhão pela primeira vez desde janeiro de 2021. A bitcoin está prestes a testar a marca dos $ 20 mil, algo que não acontecia desde 2017. Em 2022, acumula perdas superiores a 50%; só em junho a queda ultrapassa 30%.

A resposta disso é que os ativos menos arriscados passam a oferecer rentabilidade mais atrativa. Sem uma “clareza” do tamanho do ciclo de elevação dos juros e da velocidade, prevalece o sentimento de moderação com a possibilidade de os juros frearem a economia mundial, o que não é uma perspectiva muito boa para as empresas listadas em bolsa. Menor crescimento e uma maior taxa de desconto.

Na quarta-feira (15), a decisão do Federal Reserve veio mais “dura”, depois de acelerar o ritmo do aperto elevando o juro em 0,75 p.p., para o intervalo entre 1,5% e 1,75%. Mas, como o presidente da instituição, Jerome Powell, não gosta do personagem “hawkish” (a favor de aperto monetário), ele tratou de aliviar as pressões na entrevista que deu em seguida.

Foi só ele dizer que o próximo aumento, já na reunião de julho, poderia ser de 50 p.p., para as bolsas ampliarem os ganhos. Não havia necessidade de Powell dar um guidance agora, quando a pressão inflacionária está longe de ser vencida. Na prática, os investidores interpretaram que quanto mais cedo o Fed chegar a uma taxa terminal, mais cedo os mercados poderão se recuperar.

Os diretores do Fed projetam uma taxa de juros de 3,4% em 2022 e de 3,8% em 2023, mas o mercado acredita que será ao menos de 4% ao fim de 2022. Analistas de instituições internacionais não descartam a possibilidade de os juros atingirem um patamar entre 5% e 6% em 2023. As projeções do Fed para a inflação são de 5,2% em 2022 e de 2,6% em 2023, ambas acima da meta de 2%.

Os juros no Brasil…

O Banco Central do Brasil elevou a Selic de 12,75% para 13,25%. No comunicado, os diretores sinalizaram que na reunião entre 2 e 3 de agosto podem optar por um aumento de igual ou menor magnitude. Tudo indica que o ciclo de alta dos juros terminará na reunião de agosto, com a Selic alcançando 13,75%.

O Banco Central encontra dificuldades para planejar o fim do ciclo da Selic devido à crescente incerteza da atual conjuntura. Foram apontadas algumas observações: 1) ambiente externo com elevação de risco devido ao aperto monetário nas economias desenvolvidas; 2) preços das commodities e 3) a incerteza sobre a políticas fiscais, que é a condução das contas públicas.

As projeções de inflação do Copom situam-se em 8,8% para 2022 e 4,0% para 2023. O Comitê encerrará a elevação dos juros sem ancorar as expectativas de inflação em torno da meta, de 3,5% em 2022 e de 3,25% em 2023.

Juros em elevação

Momentos de aversão testam os investidores. Estamos entrando em um período no qual as principais economias do mundo convivem com a maior inflação das últimas quatro décadas.

O fato é que ninguém sabe ao certo quanto tempo essa luta vai durar nem o tamanho da desaceleração econômica que será provocada pela busca de controle inflacionário. Acompanhe e esteja próximo de seu portfólio para entender sua tolerância aos impactos do cenário econômico.

Diferentemente do resto do mundo, o Brasil possui ativos de renda fixa que oferecem altos retornos com risco baixo.

Acreditamos que informação gera a melhor decisão.

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