Semana Veedha – Estados Unidos e um problema chamado taxa de juros

Até onde vão os juros nos Estados Unidos?

Talvez seja uma resposta que o Federal Reserve não esteja pronto para dar. A resistência em iniciar a elevação das taxas de juros gerou uma consequência, elevações em magnitudes maiores para compensar o atraso. Em março, começaram com 0,25 ponto percentual, em maio dobraram para 0,50 e em junho a probabilidade preponderante no mercado é uma elevação de 0,75 ponto percentual. Atualmente, as fed funds estão em um patamar de 0,75% a 1%, mas podem migrar para o interno entre 1,5% e 1,75% no fim do semestre.

A próxima reunião de política monetária do Federal Reserve, marcada para 14 e 15 de junho, trará a atualização das expectativas dos dirigentes da instituição sobre os juros; esse é o principal evento previsto para o próximo mês. Afinal, nas projeções divulgadas em março, a mediana das expectativas indica juros em 2% ao fim de 2022 e 3% para o final de 2023, o que é difícil de acreditar na atual circunstância.

Semana passada, além de elevar os juros, o Federal Reserve indicou que reduzirá o balanço patrimonial para enxugar a liquidez do sistema financeiro. O efeito dessa medida é relevante para o ramo médio e longo da curva de juros, pois, ao vender os títulos do tesouro norte-americano, os preços caem com a elevação da oferta e os retornos aumentam. A venda de ativos atua onde os juros não é capaz de chegar.

O final desse filme do aperto monetário certamente será uma economia com juros suficientemente elevados e crescendo menos. Na melhor das hipóteses, com uma inflação controlada. Quando falamos que a economia em questão é a principal do mundo, os Estados Unidos, o impacto será global.

Os dados da atividade econômica nos Estados Unidos conduzem a dinâmica dos ativos globais, trazendo pressão de baixa para as bolsas e de alta para o rendimento dos Treasuries, quando melhores que o esperado.

Na última sexta-feira (6), o aumento dos salários por hora ficou dentro do esperado e a taxa de desemprego seguiu estável em 3,6% em abril, mas houve criação de 428 mil postos de trabalho, superando a expectativa da geração de 400 mil vagas. O resultado alimenta a probabilidade de o Federal Reserve acelerar o ritmo de aperto monetário em junho para conter as pressões inflacionárias. O monitoramento do CME Group já aponta mais de 90% de chance para um aumento de 75 pontos-base.

Nos Estados Unidos, existe uma meta de inflação de 2%. Atualmente, a inflação ao consumidor (CPI) está bem distante, em 8,5%. O atual quadro inflacionário reserva algumas incertezas e a China está na lista, com a inflação que pode crescer com os lockdowns que determinaram novas paralisações de atividades industriais. A situação acentuou o problema da cadeia de abastecimento de suprimentos, em especial os semicondutores, e isso pode aumentar a pressão nos preços dos bens industrializados.

O panorama inflacionário deverá refletir-se em movimentos maiores nos juros dos bancos centrais desenvolvidos, mesmo com a iminência de uma desaceleração da atividade.

Qual a consequência?                                

Os retornos dos Treasuries de longo prazo oscilam ao redor de 3% e as bolsas estão no vermelho mundo afora. O dólar avança ante moedas emergentes, mas em alguns momentos perde do euro, devido a falas hawkish de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE), às vésperas de elevar os juros. No Brasil, a moeda bateu a máxima em R$ 5,1147 no segmento à vista, também pelo fluxo de saída de investidores estrangeiros, mas começa a tarde bem abaixo de R$ 5,10. Sob a influência também das preocupações com a economia da China em meio à política de “tolerância zero” do país contra a Covid, o Ibovespa flerta com a perda dos 105 mil pontos. A reversão do fluxo para a bolsa já é dada como uma realidade no mercado e leva o dólar a se estabilizar na marca dos R$ 5.

Ibovespa e a influência no câmbio

Fonte: Bloomberg

Cautela é a palavra de ordem em meio à incerteza. A força do dólar ainda está por vir. Mesmo com a desaceleração da economia dos Estados Unidos, é esperado desempenho pior na Europa e na Ásia, o que deve sustentar a moeda americana.
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