Inflação: o maior perigo para as economias

O mundo em inflação

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial relataram na última reunião de primavera que a inflação é o maior perigo para as economias. Os países desenvolvidos, assim como o Brasil, estão sofrendo com a elevação dos preços. A inflação acumulada em doze meses atingiu 8,5% nos EUA e 7,4% na Zona do Euro. O aumento dos juros será a resposta para o controle do processo inflacionário, e a consequência: menor crescimento econômico no mundo. Esse é o pano de fundo para os próximos dois anos.

Projeções do FMI

Fonte: Fundo Monterário Internacional

Juros “a todo vapor”! A corrida hawkish do Federal Reserve deixará outros bancos centrais para trás.

O recuo de 1,4% do PIB nos Estados Unidos no primeiro trimestre, contra o consenso de uma alta de 1%, não mudou as apostas de que o Fomc (Comitê de Política Monetária do Federal Reserve) seguirá com uma resposta forte à inflação, pois o aumento trimestral de 17,7% nas importações e de 2,7% do consumo privado indicam crescimento da demanda interna. A leitura de que a economia continua robusta é praticamente consensual.

Lá fora, as instituições financeiras começaram a admitir que o Federal Reserve (Fed) terá de elevar o juro para 5% ou 6% se quiser debelar a inflação. Alerta ainda que esse cenário é “conservador” e a coisa pode ser ainda pior. Por isso, nos Estados Unidos a tensão é bastante elevada, com o investidor reposicionando carteiras diante da expectativa de um Fed mais agressivo e de uma recessão que já se projeta mais cedo e mais forte que o esperado para a economia.

Abril foi um mês de perdas consideráveis para o mercado de ações em Wall Street, em especial do índice Nasdaq, que teve seu pior desempenho porcentual em um mês desde outubro de 2008, marcado naquela época pela crise financeira. Esse índice concentra as empresas de tecnologia, que são penalizadas pelo cenário de ascensão dos juros, pois necessitam de muito investimento para seguirem com a estratégia de crescimento. O S&P 500 teve seu pior mês desde março de 2020 e seus piores quatro meses iniciais de um ano desde 1939.

Performance das Bolsas Internacionais

Fonte: Bloomberg

O índice DXY do dólar mede a variação da moeda americana ante uma cesta de seis rivais e atingiu a maior pontuação em quase 20 anos (103,928 pontos), com o iene enfraquecido pelo Banco Central do Japão (BoJ), que segue apoiando condições de política monetária afrouxada, e com o euro também debilitado pela manutenção da política monetária expansionista em virtude das incertezas do impacto econômico no bloco com o cenário de guerra. Se 2021 foi um ano de dólar globalmente mais forte, 2022 promete não ficar para trás.

Moedas do G10

What happens in China, stays in China! (O que acontece na China, fica na China!)

O slogan e campanha publicitária para a cidade de Las Vegas cairia como uma luva para a China. Desde o final de 2021, ganha destaque cada vez maior o noticiário sobre os lockdowns. Eventos isolados em cidades rurais atingiram metrópoles e podem comprometer a economia global, eventualmente agravando a situação da cadeia mundial de abastecimento de suprimentos, que não havia sido equalizada no pós-pandemia.

Os últimos lockdowns na China impactaram o setor de transporte rodoviário. Muitos motoristas de caminhão testaram positivo para a doença e a própria política chinesa de tolerância zero contra o coronavírus tem dificultado a entrega de produtos para os maiores portos ou importantes centros urbanos. Ainda não há previsão de relaxamento das medidas. Ou seja, haverá efeito global em todo comércio.

Os mercados financeiros na China estão sob pressão no curto prazo, pelo menos até que Pequim adote mais medidas de estímulos. As ações do setor de consumo serão as mais afetadas pelo cenário, bem como as de e-commerce e delivery. As ações de jogos online são teoricamente as beneficiárias de curto prazo, embora ainda estejam enfrentando pressão regulatória

Os lockdowns na China geram duas interpretações: 1) reforçar o estresse nas cadeias produtivas, evento que coloca mais combustível no cenário inflacionário, pois o país é a “grande fábrica” de semicondutores; 2) traz uma perspectiva de arrefecimento para as commodities, especialmente as metálicas, uma vez que a China é o maior consumidor do mundo.

Com o agravamento dos bloqueios na China, a guerra entre Rússia e Ucrânia em andamento, uma desaceleração do crescimento econômico global e altas de várias décadas na inflação, não é de se admirar que o humor dos investidores permaneça sombrio. Afinal, a única certeza é que o ambiente de incertezas vai continuar.

A virada do cenário externo afunda a bolsa e reduz desvantagem do dólar em relação ao real.

Ao longo do mês houve uma precificação do Ibovespa em relação ao começo da guerra na Ucrânia, no fim de fevereiro, quando passou a ser beneficiado também pela correlação com os preços das matérias-primas, em ascensão. Em abril, vieram os lockdowns na China e a reavaliação do FMI sobre o crescimento global, eventos que comprometeram o ímpeto das commodities diante do risco de desaquecimento da demanda.

O Ibovespa e o real apagaram os ganhos anuais próximos de 15% até março, ajustando-se à realidade que permeava o cenário internacional. Até abril, a bolsa acumula alta de 2,91% no ano, e o real reduziu o ganho para 11,34% em relação ao dólar.

Com o dólar ganhando terreno de modo expressivo contra o real, o alívio proporcionado pelo câmbio para a inflação se desfaz, levando o mercado a duvidar do fim do ciclo de aperto da Selic neste mês. Ainda que a Selic não vá muito longe, muita gente acredita que a taxa básica não pare em 12,75%.

Como contraponto, a reversão do ciclo de alta das commodities, a se confirmar, pode ajudar a compensar o efeito do câmbio, que agora sobe sem poder contar com o fluxo robusto que fez a fama do real nos primeiros meses do ano.

A escalada do dólar foi amparada pela perspectiva de alta mais intensa e mais rápida do juro nos Estados Unidos, confirmada pelo presidente do Fed, temores de desaceleração mais forte da economia chinesa e pelo impacto da guerra na Ucrânia. Esse cenário deixou o investidor estrangeiro mais seletivo e esvaziou o fluxo intenso que vinha garantindo a apreciação do real e o entusiasmo da bolsa brasileira.

Fluxo do Investidor Estrangeiro

Fonte: Xp Investimentos/B3

O encerramento do primeiro semestre reserva um panorama externo desafiador. Internamente, muita incerteza em meio à eleição presidencial deve acentuar a tal da volatilidade que tanto alertávamos na virada de ano e que acabou dando espaço para um intervalo de calmaria no primeiro trimestre.

O que esperar pela frente?

Com visibilidade muito baixa, é de se esperar a continuidade de muita volatilidade. A tese de inflação deverá seguir tomando conta do noticiário no mundo.  Com o tema desaceleração começando a ganhar força, o desafio será equilibrar a lentidão do crescimento com a inflação alta.

A procura por portfólios mais equilibrados (balanceados) é a única maneira de o investidor se proteger nestes momentos de volatilidade e ainda gerar valor no longo prazo. Isto com a adição de ativos em outras geografias e em outras moedas, além de atenção às oportunidades que surgem nestes momentos. Tomar uma decisão de investimento com todos os dados previamente conhecidos certamente faz com que o preço não seja o mesmo do que quando esta informação não é familiar.

Em investimentos, devemos considerar um horizonte de longo prazo. Por essa razão, é comum observar nas posições estruturais – ativos objetivando uma boa relação risco e retorno no médio/longo prazo – resultados negativos no curto prazo. Os investimentos que tiveram bom desempenho nos últimos anos não necessariamente serão os melhores nos anos seguintes.

Conte com seu assessor para encontrar o portfólio mais adequado ao seu perfil e apresentar as melhores oportunidades.

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