Semana Veedha – Se não fosse o alívio no câmbio, a inflação ao consumidor poderia ser ainda maior.

Se não fosse o alívio no câmbio, a inflação ao consumidor poderia ser ainda maior.

Incontáveis variáveis podem influenciar o câmbio em questão de minutos. Olhando para o cenário internacional, o dólar sofre influência de eventos econômicos ou políticos das principais economias do mundo, pois é a reserva de valor. Quando consideramos o cenário doméstico, as nossas particularidades econômicas e políticas influenciam a cotação do real em relação ao dólar.

Estamos vivendo uma temporada inesperada! O investidor estrangeiro está com apetite pelos nossos ativos; o fluxo de dólares tem falado mais alto do que a crise geopolítica. Em 2022, o investidor ingressou com R$ 85 bilhões até 23 de março. Esse valor superou os R$ 71 bilhões acumulados ao longo de 2021.

Aliás, justamente o conflito entre a Rússia e a Ucrânia contextualizou o interesse pelo ativos brasileiros no mercado de ações. O cenário inflacionário de commodities atraiu o olhar para as empresas desse setor, que representam 30% do Ibovespa.

Em momentos de insegurança e incerteza no mercado internacional, os investidores voltam-se para a economia que é a considerada a mais segura do mundo, os Estados Unidos. Globalmente, o dólar valorizou, mas o real encontrou alguns fundamentos para desafiar essa escalada.

Além de exportar commodities, o Brasil exporta juros. O ciclo de elevação da Selic coloca o Brasil na vice-liderança do ranking dos maiores juros (10,75%) entre os emergentes, uma alta rentabilidade que atrai a cobiça do “smart money”, nome dado ao capital estrangeiro especulativo.

Até 24 de março, o real valorizou pouco mais de 13% em relação ao dólar. O câmbio está diretamente relacionado com a inflação. É fácil imaginar que itens importados fiquem mais baratos quando o valor do dólar cai em relação ao real, mas não é apenas isso que acontece. A variação do dólar influencia a vida de todo mundo, impacta no custo de mercadorias que as pessoas consomem em todos os lugares, como itens de supermercados e combustíveis.

As cotações das commodities agropecuárias e de energia, que estão no destaque devido à inflação global de alimentos e combustível, são feitas em dólar. Teoricamente, esses preços deveriam ficar mais baratos com a desvalorização do dólar. Enquanto a moeda cai, o petróleo e os preços agropecuários seguem em alta devido aos problemas de oferta com a demora na resolução da guerra entre Rússia e Ucrânia, e com a redução dos estoques registrados nos Estados Unidos e na Europa.

O resumo disso é que, se não fosse a recuperação da taxa de câmbio, poderíamos estar sentindo uma pressão inflacionária ainda maior. A inflação ao consumidor (IPCA) pode encerrar o ano um pouco acima de 7%.

Até quando vai durar o movimento do câmbio é difícil prever, ainda mais quando está atrelado ao capital especulativo, que às vezes sai da economia numa velocidade superior à que entrou. Mas a projeção dos economistas, mensurada semanalmente pelo boletim Focus do Banco Central, revelou que R$ 5,30 é o câmbio ao fim de 2022. Ou seja, a valorização não é uma tendência e, sim, um “momento” da moeda brasileira.

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