A aposta mudou! Agora, estamos falando da Selic acima de 12%

Existe uma convicção de que a inflação deste ano será, aproximadamente, metade dos 10,06% acumulados em 2021, uns 5,5%. As principais justificativas para essa projeção são:

  1. A desaceleração da atividade econômica (e da demanda), como consequência da postura mais agressiva do Banco Central na sua política de juros;
  2. A esperada normalização da cadeia de insumos no mercado global, responsáveis por grande parte da inflação de custos;
  3. Retirada do adicional de escassez hídrica a partir de maio.

No entanto, crescem dúvidas sobre esse resultado, principalmente em função de alguns fatores:

  1. Um deles tem a ver com o comportamento do mercado de combustíveis, e a possibilidade de passar dos US$ 100 em alguns meses.
  2. Preços de Alimentação em Domicílio – quebras de safra.

A inflação está muito disseminada; 70% dos itens mostraram avanço nos preços. Até meados do 2° trimestre a taxa seguirá com dois dígitos.

A boa notícia vem sendo a recuperação da taxa de câmbio, que poderia fornecer algum alívio inflacionário nos preços de bens industrializados, uma vez que importamos peças e semicondutores, e nos preços de alimentos, pois as commodities agropecuárias são negociadas em dólar, assim como acontece com o petróleo.

O motivo da recuperação do câmbio é o fluxo cambial. Apenas em 2022, o ingresso de investimento via financeira (entram ações, renda fixa…) soma cerca de US$ 9,5 bilhões. Até quando vai entrar recurso não sabemos, mas vamos monitorar dois assuntos: 1) ritmo da elevação dos juros nos Estados Unidos, que pode trazer uma reversão do ingresso de investimentos e; 2) risco fiscal e eleitoral, fatos que podem trazer aversão ao risco.

Com este diagnóstico de cenário inflacionário, tão importante para o investidor balizar suas expectativas, o fato é que o Banco Central vai encerrar o ciclo de elevação dos juros sem conseguir baixar a inflação de 2022 (projetada em 5,5%) para o teto da meta (5%), e ainda com a inflação de 2023 (projetada em 3,4%) acima do centro da meta (3,25%).

 

Taxa de Juros e a Inflação – Acumulado em 12 meses (%)

 

 

Fonte : Bloomberg

No início do mês, o Banco Central foi categórico na ata da última reunião de política monetária (quando elevou a Selic de 9,25% para 11,75%): a percepção de risco em relação às contas públicas atrapalhou e pode continuar atrapalhando o plano de pouso da taxa Selic. Os diretores, até, revelaram que trabalharam alguns cenários finais para juros, considerando inclusive um índice acima de 12%.

Essa elevação das expectativas do mercado de 11,5% para um pouco acima de 12% não vai fazer diferença na inflação, mas é o prêmio de risco que, provavelmente, o Brasil terá que pagar para o investidor financiar a sua dívida.

Sempre é uma boa oportunidade revisitar a sua carteira de investimentos. Converse com o seu assessor!

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