Economila – Como a elevação dos juros nos EUA impacta o cenário de investimentos?

Por: Camila Abdelmalack

O mundo está de olho no processo de elevação dos juros nos Estados Unidos. Em dezembro, o Federal Reserve publicou as previsões trimestrais para os principais indicadores e indicou que deverão ocorrer ao menos três elevações de juros em 2022. Isso porque os dirigentes passaram a projetar inflação e atividade econômica mais fortes.

Taxas de Juros – EUA (%)

Fonte : Bloomberg

Em março de 2020, o Federal Reserve promoveu uma enxurrada de estímulos para contornar a crise econômica decorrente da pandemia. Após os cortes nos juros e o programa de compra de ativos, em novembro de 2021, a instituição, percebendo o processo inflacionário relativo à recuperação econômica, decidiu reduzir os estímulos, o conhecido “tapering”.

A partir de dezembro, as apostas de elevação de juros ganharam força. Ao longo de 2021, os investidores foram antecipando os palpites de alteração nos juros de 2024 para 2022. Além da elevação dos juros, há expectativa para a redução do balanço patrimonial do Federal Reserve, que aumentou de US$ 4 trilhões em março de 2021 para US$ 9 trilhões atualmente.

Balanço Patrimonial do Federal Reserve (US$)

Fonte : Bloomberg

Esse é outro movimento que o mercado está de olho. Assim como o programa de compra de ativos (Quantitative Easing – QE) tem o objetivo de reduzir as taxas de longo prazo, já que um corte de juros mexe apenas no “ramo curto” da curva de juros, a redução patrimonial implicará na subida dos juros de longo prazo. O Federal Reserve venderá Treasuries, o que aumentará a oferta do ativo, tendo como consequência queda no seu preço e elevação do rendimento.

Após os estímulos monetários como resposta à crise de 2008, o Federal Reserve promoveu a redução na compra de ativos (tapering) em 2013, cinco anos após a crise, e a primeira elevação dos juros em 2015, sete anos depois. No atual contexto, a retirada de estímulos será mais rápida. Afinal, a inflação ao consumidor (CPI) está no maior patamar das últimas quatro décadas, 7% em dezembro de 2021.

O que esse cenário influencia na vida do investidor?

O dólar é a moeda que fundamenta a precificação dos investimentos, porque é um ativo global. Como o Federal Reserve “manda” na moeda, o mundo todo olha de perto a condução da política monetária. Na reunião desta 4° feira, a instituição decidiu pela manutenção dos juros entre 0% e 0,25%. No entanto, indicou que pretende iniciar o ciclo de elevação dos juros na próxima reunião, em março.

Taxa de Câmbio (R$/US$) e DXY

Fonte : Bloomberg

Os títulos da dívida dos Estados Unidos (Treasuries) são os ativos considerados “livres de risco” e, nesse cenário, têm previsão de pagar um rendimento maior. O investidor é estimulado a migrar seu dinheiro para a economia considerada a mais segura, e que agora oferece um retorno maior com menos risco. Ao enxugar os recursos, o dólar aprecia globalmente.

Ibovespa e Nasdaq

Fonte : Bloomberg

Elevação de juros nos Estados Unidos indica menos dinheiro circulando globalmente, o que explica a queda das bolsas no mundo afora e, principalmente, aqui, onde o investidor já não tinha muito motivo para investir devido às incertezas internas, como risco fiscal e eleitoral.

A tendência nesse cenário é o investidor migrar seu dinheiro para a economia mais segura que existe, e que agora tem previsão de pagar um rendimento ainda maior com menos risco.

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