“Semana Veedha – Não existe fórmula mágica”

Não existe fórmula mágica!

Volatilidade é uma constante no vocabulário do investidor brasileiro. Afinal, o cenário para as contas públicas é objeto recorrente de preocupação. Iniciamos 2022 insistindo no termo volatilidade, pois é difícil ser assertivo em relação aos desdobramentos do cenário eleitoral ao longo dos próximos meses. Mesmo que tentemos simplificar o cenário supondo polarização, o processo das candidaturas pode reservar algumas surpresas: revelações ao longo das campanhas, indicações para os cargos-chave em cada governo, os discursos que podem agradar ou azedar a percepção em relação ao Brasil, as pesquisas de opinião…

Antes de encarar o cenário eleitoral, que ganhará evidência ao longo do 2° trimestre, gostaríamos de propor algumas reflexões ao investidor. Muito foi dito sobre os riscos no Brasil e a importância de proteger o patrimônio olhando para economias mais seguras. Agora, essas economias estão passando, ou prestes a passar, por um ciclo de alta de juros e isso deverá trazer um aumento da volatilidade no curto prazo.

As observações que fazemos para os ativos domésticos, em um cenário de elevação de juros, são válidas no caso das economias desenvolvidas, como os Estados Unidos, que indicou ao menos três elevações dos juros em 2022 para um patamar entre 0,75% e 1%.

Assim como revisitamos nossa alocação nos ativos domésticos, é importante analisar a distribuição nos ativos internacionais para evitar perdas, não só pela alta de juros, mas pelo fato de a concentração ser perigosa em qualquer contexto. O simples fato de o recurso estar com parte dos investimentos “fora” não significa que ele estará protegido de perdas!

Um exemplo clássico é do investidor cuja alocação em empresas de tecnologia é o seu único investimento global. Dentro da fatia de ações, também se deve procurar diversificar a alocação de forma a compreender outros setores, que tendem a ser mais resilientes do que tecnologia no momento em que os juros estão subindo.

Mesmo nos fundos de investimento, uma carteira global pode possuir muito mais exposição a ativos de risco do que estamos acostumados no Brasil. Por isso, é necessário rever a composição dessa alocação para colher resultados satisfatórios.

Outro assunto recorrente é a aquisição de dólares. Muito é dito sobre a taxa de câmbio; acertar a cotação do dólar com tantos eventos é complicado. Mas podemos trazer algumas reflexões:

  1. A elevação dos juros nos Estados Unidos, em conjunto com a redução do balanço patrimonial do Federal Reserve, mantém a atenção sobre a redução da liquidez global, diminuindo o apetite por ativos de risco no mundo e convidando o investidor para o “safe haven”, ou seja, o dólar.
    O índice DXY (que mede as variações da moeda americana frente a outras seis divisas relevantes) pode voltar a valorizar e ficar acima do nível de 96,00 pontos, à medida que se aproximar a reunião de 26 de janeiro do Federal Reserve e o mercado precificar a possibilidade de uma ação mais “dura”.
  2. O ambiente doméstico seguirá desafiador. No curto prazo, o risco fiscal mantém a taxa de câmbio depreciada, enquanto a eleição presidencial está envolta de incertezas e sem clareza sobre a viabilidade para a terceira via. Internamente, não há fundamento para uma recuperação permanente da taxa de câmbio vislumbrando o turbilhão político.

As projeções do mercado (Boletim Focus) para a taxa de câmbio podem sofrer revisões bruscas, a depender dos desdobramentos citados. Por isso, é importante ter consciência do que pode influenciar o câmbio para não ser pego de surpresa. Veja no gráfico abaixo como houve alteração das projeções no intervalo de 45 dias, provavelmente influenciado pelo ajuste ao discurso do Federal Reserve.

Projeção Dólar – Boletim Focus


Fonte : Banco Central

As reflexões anteriores estão longe de ser uma recomendação de compra de dólar, apenas algumas constatações sobre a tendência para a taxa de câmbio. A alocação em dólar pode estar associada a diferentes objetivos, então é necessário avaliar caso a caso.

Em resumo, quando trocamos duas moedas, não trocamos apenas a variação entre elas, trocamos também as taxas de juros dos países dessas moedas. A operação de carry trade busca se beneficiar justamente desse diferencial de juros, quando o investidor pega o dinheiro emprestado em uma taxa menor e investe em um ativo, no caso, em outro país, onde a taxa é maior.

Em determinadas circunstâncias, carregar o dólar como um “investimento” pode gerar perda de oportunidade. No atual patamar de juros no Brasil, o “carregar” o dólar ficou caro. Em outras palavras, investir no CDI versus investir na taxa de curto prazo americana (FEF Fund) tem um diferencial de aproximadamente 9% a favor do real.

A disciplina de revisitar a carteira de investimentos é essencial para colher bons resultados e evitar frustrações que podem ocorrer mesmo com ativos em economias desenvolvidas. Converse com o seu assessor e certifique-se de que sua carteira está em linha com os seus objetivos.

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