Carta Mensal: Resiliência e Paciência são as palavras para 2022

A carta mensal vai esclarecer para você duas dúvidas que podem surgir ao longo desse mês:

1) Como a bolsa se comportou em anos de eleição
2) Qual o impacto para o Brasil da elevação de juros nos Estados Unidos

Vamos olhar para dentro de casa e entender a situação do Brasil!

O ano de 2021 foi marcado pelo processo bem-sucedido de vacinação, que fortaleceu a recuperação econômica, puxada principalmente pelo setor dos serviços, responsável por 60% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil.

 

Produto Interno Bruto (PIB) – Brasil

 

 

Fonte: IBGE / Previsão: Veedha

No entanto, vimos forte elevação da inflação e flexibilização do arcabouço fiscal. O imbróglio dos precatórios e do programa Renda Brasil deixou cicatrizes permanentes no teto de gastos e na credibilidade fiscal. A perda de credibilidade na condução das contas públicas arranhou a performance dos ativos domésticos desde o início do 2° semestre de 2021.

O desafio atual é voltar a níveis mais baixos de inflação, o que exigirá política monetária contracionista, afetando, portanto, o crescimento econômico. Ou seja, as perspectivas para a economia em 2022 seguem desafiadoras diante da expectativa de que a taxa Selic, que saiu de 2% em março/2021 para 9,25% em dezembro/2021, alcançará os dois dígitos em fevereiro, 10,75%.

O gráfico abaixo baseia-se nas expectativas do mercado; é possível notar que a taxa de juros acomodar-se-á em patamar acima da inflação.

 

Taxa de Juros e Inflação com Projeções – Brasil

 

 

 

Fonte : Banco Central

 

 

Grande parte da deterioração fiscal aparenta estar precificada. Todavia, olhando mais à frente, seguimos cautelosos com as perspectivas para 2022. Infelizmente, não se confirmou a profecia da recuperação do mercado doméstico entre meados de dezembro até fevereiro com a “página virada” da PEC dos precatórios e o recesso do Congresso. Isso porque não existiu uma janela de paz nas notícias fiscais para o mercado.

O ano começou com forte pressão por aumento de gastos, por parte do governo, para atender às demandas eleitorais e pedidos de reajustes salariais do funcionalismo, que não vai deixar barato a “preferência” de Bolsonaro pelos policiais. Em outro ataque ao teto de gastos, a decisão do governo de editar a MP que revoga a necessidade de a União compensar o valor da desoneração da folha de pagamentos para 17 setores pode acabar sendo judicializada.

Especialmente no atual ambiente de questionamento da sustentabilidade da dívida pública e enfraquecimento do arcabouço fiscal, o cenário prospectivo para a economia brasileira será muito dependente do resultado das eleições do ano que vem. Nossa expectativa é que o nível de incerteza deve permanecer alto ao longo do processo eleitoral, trazendo volatilidade para os ativos domésticos.

Como a bolsa se comportou em anos de eleição?

A XP Investimentos elaborou um estudo que aborda o comportamento do Ibovespa em períodos eleitorais. Na média, o índice Ibovespa teve rentabilidade negativa de -6,7% no semestre anterior, e registrou valorização de +5,9% após as eleições.

 

Retorno do Índice Ibovespa antes e depois das Eleições

 

 

Elaboração: XP Investimentos

 

 

No entanto, o preço das ações não parece seguir uma regra. Por isso, a nossa sugestão é para você não se apegar ao que aconteceu! Segundo o estudo, “a democracia brasileira é jovem e a amostra de períodos eleitorais em que as políticas e o mercado eram similares ao atual são pequenas. Além disso, o mercado brasileiro é sensível aos movimentos do mercado global, como a volatilidade cambial, períodos de bonanças e crises econômicas globais, e mudanças nos preços das commodities, como fatores que podem afetar as ações brasileiras mais do que as incertezas políticas domésticas”.

Fora da “bolha Brasil”. Qual o contexto da economia global?

O ano de 2022 deverá dar continuidade ao processo de normalização em várias frentes. Com o aumento persistente da inflação, subproduto da ação ampla e coordenada entre as políticas fiscal e monetária, diversos bancos centrais provavelmente darão início (ou continuidade) ao processo de regularização monetária.

 

Inflação nos países do G10

 

 

Fonte: Bloomberg

 

 

Desde dezembro, aumentou a apreensão com o “timing” da elevação dos juros nos Estados Unidos devido à postura mais “hawkish” (inclinada à retirada de estímulos) do Federal Reserve. A combinação da recuperação da economia norte-americana com o ressurgimento da inflação praticamente define a trajetória dos juros nos Estados Unidos nos próximos meses.

O investidor jogou as fichas em três elevações da taxa básica este ano e despertou para a chance de o BC americano começar a enxugar a liquidez do sistema assim que o juro subir. Na primeira semana de 2022, acelerou as apostas (probabilidade ao redor de 75%) de aperto monetário antecipado para março.

Qual o impacto para o Brasil da elevação de juros nos Estados Unidos?

O dólar é a moeda de referência global, então, quando os americanos aumentam os juros, o mercado começa a “sugar” o dólar. O resultado disso é pressão cambial. O real fica desvalorizado em relação ao dólar, pressionando a inflação e, consequentemente, mantendo a taxa de juros aqui no Brasil elevada.

A elevação de juros nos Estados Unidos certamente impacta o mercado financeiro brasileiro. No entanto, como o aumento da taxa de juros já era antecipado, essa recomposição de carteiras já vem ocorrendo de forma gradativa, de modo que o anúncio do Federal Reserve não deve provocar nenhum tipo de oscilação exacerbada no mercado financeiro doméstico.

Os títulos da dívida pública americana são agora mais atrativos. Cabe lembrar que esses títulos são considerados livres de risco, pois, teoricamente, estão “imunes” a qualquer tipo de “default”. Anteriormente, com juros mais baixos nos Estados Unidos e a relativamente elevada rentabilidade dos ativos de países emergentes, alguns investidores preferiram correr um risco maior e investiram em papéis dos emergentes. Agora, parte desses investidores tenderá a recompor suas carteiras de ativos vendendo papéis de emergentes e investindo em títulos americanos.

Dito isso, os agentes econômicos já incorporam esses movimentos do Federal Reserve em suas decisões, o que não deverá causar nenhum tipo de saída catastrófica de capitais. O que pode provocar um impacto maior é se ocorrer uma recalibragem no ritmo de elevação dos juros, além das três altas previstas, que resultarão na fed funds saindo da faixa entre 0% e 0,25% para 0,75% e 1%.

Não tem coelho para tirar da cartola, as palavras são resiliência e parcimônia.

Nossa conclusão é que os ativos brasileiros hoje precificam muitas notícias negativas, como o “risco fiscal”. Tivemos um dos mercados mais fracos do mundo em 2021, e uma das moedas de pior desempenho também, apesar de o país ser um dos maiores beneficiários dos preços elevados das commodities. Com a postura mais firme do Banco Central em relação à inflação, e Selic terminal prevista em 11,50%, esperamos que o real se estabilize no atual patamar.

Já para a bolsa, não podemos isolar o impacto do evento eleitoral de outros desdobramentos do cenário internacional. A única orientação coerente para o pacote Ibovespa é a volatilidade, pois muitas peças que formam o quebra-cabeça do Brasil estão fora de ordem.

 

 

 

Volatilidade do Ibovespa durante períodos eleitorais (período de 90 dias)

 

 

Fonte : Xp Investimentos

 

 

É muito desafiadora a combinação de um alto nível de dívida em relação ao PIB (83%, um dos maiores entre mercados emergentes) com taxas de juros elevadas. A questão-chave para o Brasil é estabilizar a dinâmica da dívida, pois a viabilidade desse cenário é o que vamos monitorar durante o ciclo eleitoral.

Oportunidades para Investimentos

Conforme o cenário descrito acima e a expectativa de grande volatilidade em uma atmosfera de poucas convicções, as palavras de ordem são diversificação, cautela e resiliência.
Com os juros subindo no Brasil e no mundo, os ativos de renda fixa ganham atratividade. Porém, as oportunidades na Bolsa são latentes e devem ser consideradas.
Em época de muita volatilidade, para alcançar mais eficiência é fundamental definir uma alocação estrutural, determinando classes de ativos que devem compor o seu portfólio e, então, os seus respectivos pesos. Além disso, é importante manter-se fiel ao plano original, sem se deixar levar por recompensas no meio do caminho.

• Na renda fixa, considere os fundos de crédito privado pós-fixado para investimentos de, no mínimo, seis meses, além dos títulos privados.
• Em fundos multimercados, os recursos que você não vai precisar antes de três anos
• E nos fundos de ações, o dinheiro que pode ficar investido por, pelo menos, cinco anos.

Entender quanto toleramos de perdas e qual o objetivo do investimento é determinante na hora de montar uma carteira, porque essa reflexão nos permitirá carregá-la ao longo do tempo. É importante, portanto, iniciar o ano com objetivos de investimentos definidos, pois isso nos guiará para passos mais racionais na construção do portfólio ideal.

Conte com os profissionais da Veedha para ajudá-lo a definir o percentual em cada classe e a escolha dos ativos para maior sucesso na busca do seu objetivo.

 

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