Economila – Risco Brasil: O que é o risco-país e como afeta os investimentos?

Por: Camila Abdelmalack


O cenário político influencia bastante o ambiente econômico, principalmente no Brasil. Às vésperas da eleição presidencial, o meio político promete entrar em ebulição. Por isso, os analistas estão menos otimistas com os ativos domésticos e alertam para a volatilidade, principalmente da bolsa.


Ao longo desse ano, ficou ainda mais evidente aos investidores que, para implementar as políticas econômicas, o governo precisa do aval do Congresso. As famosas reformas econômicas (Administrativa e Tributária) são exemplos que levam o debate político para a cena econômica.


Nos últimos anos, com o objetivo de reduzir o endividamento do país, muitas pautas relacionadas às contas públicas têm sido discutidas. Assim, frequentemente é noticiada a preocupação do abandono do “teto de gastos”, o instrumento que indica a responsabilidade da condução da política fiscal no Brasil, ou seja, nosso comprometimento com a redução da Dívida Bruta/PIB.


Em meio à leitura dos investidores sobre a capacidade de condução das contas públicas, surge a expressão “risco-Brasil”. O termo indica aos investidores os desafios de investir no Brasil e a possibilidade de o país dar calote em seus credores; se está aumentando ou diminuindo. O aumento do risco-país pode levar à fuga de capital estrangeiro, aumenta as dificuldades de financiamento do país e deprecia os ativos domésticos.
As variáveis medidas pelo risco-país são, basicamente, instabilidade política, déficit fiscal, crescimento econômico e a relação dívida/PIB. O EMBI+, criado pelo J.P. Morgan, e o Credit Default Swap (CDS) são os instrumentos mais usados.

O que é Credit Default Swap (CDS)?


O indicador funciona como uma espécie de seguro contra o calote da dívida. É um instrumento financeiro conhecido como swap de crédito; é um derivativo que permite a um investidor trocar seu risco de crédito com o de outro investidor. Ou seja, caso a instituição específica não pague suas obrigações, o emissor do CDS terá de pagar o valor dessas obrigações ao portador.


Se há um aumento do número de contratos desse tipo no mercado financeiro, significa aumento do risco-país.


O que é EMBI+ (criado pelo J.P. Morgan)?


É um índice que mostra a diferença entre a taxa de retorno dos títulos públicos dos países emergentes e do Tesouro dos Estados Unidos, referência de segurança para o mercado financeiro, isto é, o ativo livre de risco. Essa diferença é chamada de spread soberano.


Para calcular o risco-país, usa-se a unidade de medida ponto-base. Cem pontos-base equivalem a 1%. Se o risco-país está em 400, o investidor precisa receber 4 pontos percentuais a mais de rentabilidade em um título dos países emergentes do que receberia se aplicasse no título de referência, que é o do Tesouro americano.


Altos índices de risco-país significam juros mais altos. Quando o risco para investir em um país aumenta, é necessário oferecer condições mais vantajosas. Afinal, os investidores buscam segurança e rentabilidade. Países que apresentam alto risco não podem oferecer segurança, assim, apostam na rentabilidade para os mais arrojados.

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