“Semana Veedha – A sombra do Risco Fiscal”

O cenário econômico desafiador do Brasil está potencializado pelo noticiário político. Semana após semana, alertamos nossos clientes e leitores sobre a importância dos acontecimentos no Congresso, especialmente a votação da PEC dos Precatórios, fundamental para encerrar uma etapa importante do Orçamento para 2022. É nesse tema que mora o “risco fiscal”, tão prejudicial aos ativos brasileiros.  

Qual a razão da depreciação dos ativos brasileiros? 

O “risco fiscal”! Sem clareza sobre a condução das contas públicas em 2022, os investidores consideram que a probabilidade majoritária será desrespeitar as regras fiscais. O descontrole das contas públicas indica a possibilidade de elevação do endividamento e piora a sensação de risco, desta forma os investidores passam a exigir um “prêmio de risco” maior para investir no Brasil.  

A situação é traduzida pelo gráfico abaixo, que mostra alteração dos juros para patamares maiores e consolidação em dois dígitos. A percepção de uma taxa de juros maior eleva o prestígio da renda fixa em detrimento da renda variável, prejudicando a avaliação das empresas. Além disso, juros mais altos entram como taxa de desconto sobre os fluxos futuros das ações, trazidos a valor presente, reduzindo a atratividade.  

Curva de Juros (%) 

 
Fonte: Bloomberg 

Inflação e taxa de juros elevada não são novidades para a economia brasileira. Até, no passado, não impediram os ganhos do Ibovespa. Mesmo com um cenário desafiador, as empresas poderiam manter a atração, sustentadas pelo argumento microeconômico.  

Os balanços do 3° trimestre foram avaliados pela XP Investimentos como sólidos, porém já sendo uma temporada mais fraca que as anteriores, por causa da incerteza com o cenário futuro. Essa alta nas taxas de juros eleva o custo de capital das empresas, e afeta diretamente seu preço justo.  

Ibovespa: Surpresa de Lucros Operacionais 

 
Fonte: XP Investimentos                     

Não é apenas uma questão de juros e inflação. É a falta de visibilidade sobre o cenário futuro, à mercê do contexto político. Há uma incerteza sobre a trajetória inflacionária, pois parte dessa inflação reflete uma depreciação cambial pelo “risco fiscal”, resultado da saída de recursos da nossa economia. Juros elevados não são o problema central, mas sim a incerteza sobre o patamar futuro, que pode ser ainda superior, dependendo do encaminhamento das pautas políticas.  

Adentramos num período político delicado. Além das questões orçamentárias, enfrentaremos em 2022 as oscilações do futuro cenário presidencial. Por isso, é necessário paciência e comunicação com seu assessor de investimentos para conseguir navegar por esse período de volatilidade e reduzir as chances de prejuízo.  

Como está a tramitação da PEC dos Precatórios?  

A PEC dos Precatórios entra no contexto para viabilizar o Auxílio Brasil, remanejando a dívida do governo, entre outros artifícios. Todo o esforço está sendo feito para garantir a promulgação da parte que autoriza os recursos para o Auxílio Brasil e outras despesas sociais, a fim de abrir espaço para o pagamento do benefício ainda em dezembro. 

O problema é que o atraso complicaria o calendário de Bolsonaro. Sem poder lançar o novo programa social no ano da eleição, o governo acabaria resolvendo o impasse com uma medida provisória, estendendo o auxílio de R$ 400. Esse caminho prolonga o período de incertezas no mercado financeiro, além de suscitar questionamentos sobre o caráter do recurso emergencial. 

A matéria saiu da Câmara, mas os investidores estão apreensivos com a possibilidade de o governo não conseguir votos para sua aprovação no Senado. O governo corre contra o tempo. No Senado, o relato pretende incorporar sugestões dos senadores ao texto da Câmara e promulgar apenas o trecho já avalizado pelas duas Casas: Auxílio Brasil, despesas com assistência social/Previdência e os mínimos com Saúde e Educação. Dessa forma, estaria aberto o caminho para o pagamento da primeira parcela do Auxílio Brasil antes do Natal. 

O restante da matéria empacotaria a PEC paralela e seguiria para a Câmara com as mudanças propostas pelo Senado, que incluem, entre outros pontos, um “carimbo” nos recursos liberados pelo teto expandido de gastos e pelo limite no pagamento dos precatórios. 

Acompanhe com a Veedha Investimentos os desdobramentos dos cenários econômico e político! Mais do que nunca, é importante compreender o “racional” dos agentes no mercado financeiro e avaliar com o seu assessor se a sua carteira de investimentos está adequada ao seu perfil e objetivos.  

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