“Semana Veedha – Vamos falar de estagflação?”

Semana após semana, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para 2022 vem sendo revisada para baixo, saindo de 2,5% para 1,5%. O cenário é mais desafiador: inflação no patamar de 9% em 2021 com expectativa de 4,5% em 2022, passível de correção para cima, e taxa de juros em 8,25% ao fim de 2021 com a possibilidade de rondar 9% no primeiro trimestre de 2022.

Inflação e juros em patamares elevados sacrificam a economia. A inflação corrói a renda familiar, pois, para grande parte da população, é onde se concentram os gastos de subsistência, e a taxa de juros elevada posterga a decisão de apostar em investimentos produtivos. O custo maior de pegar um empréstimo desse capital representa mais um obstáculo para o mercado de trabalho, além de frear as decisões de consumo.

Por isso, veremos, cada vez mais, matérias econômicas com o papo da “estagflação”. O cenário descrito acima define uma situação, simultânea, de estagnação econômica com altas taxas de inflação. Afinal, estamos sentindo os sinais?

Ao olhar o rumo das projeções para 2022, podemos dizer que aumentaram as chances de estagflação. Mas, por enquanto, o diagnóstico é de baixo crescimento. Os setores vivem momentos diferentes. A indústria enquadra-se em estagflação, os insumos estão caros e é a oferta que está puxando a alta de preços no setor. Mas, na parte de serviços, a demanda continua subindo por causa do processo de reabertura.

O termo estagflação tornou-se popular em 1973, no episódio que ficou conhecido como “choque do petróleo”. Na época, os países exportadores da matéria-prima passaram a regular a oferta, com o objetivo de controlar preços. A consequência disso foi a elevação no preço dos combustíveis, provocando uma desaceleração generalizada da atividade econômica. Os custos se elevaram por causa da oferta e não pelo aquecimento do consumo, ou seja, a demanda.

No Brasil, estamos vendo a inflação de demanda por bens e serviços, que será contornada pela elevação dos juros, mas grande parte responde pelos custos. As matérias-primas dispararam de preço ao mesmo tempo em que ocorre a desvalorização do real, encarecendo a produção de itens básicos, dependentes de insumos importados. Fora isso, a elevação dos preços de energia elétrica afeta não só o consumidor final, mas a cadeia produtiva como um todo.

O Banco Central sobe os juros para desaquecer a demanda e segurar o repasse da inflação de oferta. No entanto, juros com dois dígitos não resolvem o problema. A solução parte da normalização na cadeia de suprimentos.

A elevação dos juros também será pauta no exterior em 2022, entre as economias desenvolvidas, o que deve afetar o mercado financeiro no Brasil, pois os emergentes sofrerão com a redução de liquidez. A recomposição das carteiras de ativos dos investidores determinará uma redução no fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil.

Há um enorme desafio no cenário econômico doméstico e os ventos vindos da conjuntura externa também estão mudando e atrapalhando ainda mais essa navegação. Adicionamos outro agravante: o cenário político. A eleição   presidencial promete acrescentar volatilidade ao mercado financeiro doméstico.

A leitura dos investidores é simples: cenário político ruim piora o ambiente para as reformas econômicas e temas propositivos às contas públicas. Os políticos não entram em consenso; uns querem gastar mais para voltar ao reduto eleitoral com feitos, outros querem colocar as contas públicas em ordem e para isso precisam “fechar a torneira”, e há ainda os que querem apenas fazer oposição e travar as pautas do governo em atuação para atrapalhar a reeleição. Ou seja, é uma bagunça só!

O resultado dessa história é a elevação na percepção de risco em relação à economia brasileira, o que empaca a vinda dos investimentos estrangeiros para o Brasil. Não é apenas isso, o investidor brasileiro aumentou a propensão a externalizar os seus investimentos.

Converse com o seu assessor sobre a sua carteira de investimentos. Verifique se você está posicionado conforme o seu perfil e os desdobramentos esperados para o cenário econômico.

There are no comments

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Start typing and press Enter to search

Shopping Cart