Economila – Componentes do preço dos combustiveis cobrado na bomba.

Por: Camila Abdelmalack

Os combustíveis que utilizamos todos os dias são o produto final de uma longa cadeia produtiva, que é uma das razões para as recorrentes polêmicas envolvendo os preços ao consumidor final.

Recentemente, a Petrobras utilizou o espaço no site da companhia para clarear a composição do preço dos combustíveis ao consumidor. A petrolífera contextualiza que “a extração do petróleo acontece em águas profundas, a até 7 mil metros de profundidade. No leito marinho, poços e equipamentos submarinos trazem o petróleo até a superfície. Nas plataformas, plantas industriais operam 24h por dia para separar o petróleo e enviá-lo à costa, superando distâncias que superam 300 quilômetros da costa”.

Após a extração, a Petrobras explica que “ao chegar nas refinarias, o petróleo passa por uma série de processos químicos e físicos. As moléculas pesadas são purificadas e quebradas em partes menores, dando origem a diversos produtos, como gasolina, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo”.

Só aí, então, que os combustíveis são vendidos para distribuidoras, que irão revendê-los aos consumidores em postos de distribuição. Assim, temos as composições abaixo:

Gasolina


Fonte: Petrobras


Diesel


Fonte: Petrobras

Gás Liquefeito de Petróleo


 Fonte: Petrobras

A razão da apreensão dos consumidores é a escalada desses preços ao longo de 2021, impactando diretamente no bolso da população.

IPCA e Preços de Combustíveis


Fonte: IBGE

A escalada é global!

Os preços de derivados do petróleo estão subindo globalmente, pois o valor do petróleo está valorizando ao longo do ano. No primeiro semestre, a escalada foi justificada pela aceleração da economia global, agora há uma preocupação com os relatos de crise energética na China e a proximidade do inverno no Hemisfério Norte, que aumenta o consumo.

Petróleo (US$/barril)


Fonte: Bloomberg

O que está por trás do aumento dos preços dos combustíveis?

O principal motivo é a política de preços de derivados adotada pela Petrobras nas refinarias. Instituída em 2016 no governo de Michel Temer, a nova forma de cálculo passou a ser orientada pela Política de Preços de Paridade de Importação, conhecida como PPI, que inclui no cálculo custos de frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias, mais uma margem praticada para remunerar riscos inerentes à operação, como, por exemplo, volatilidade da taxa de câmbio e dos preços sobre estadias em portos e lucro, além de tributos.

O que está encarecendo e promovendo essa oscilação é o movimento nos custos internacionais do petróleo ou no câmbio, correspondendo a reajustes na mesma direção nos preços praticados nas refinarias da empresa, repercutindo na cadeia de distribuição até chegar ao consumidor final.

O que está sendo discutido?

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), discute, junto com líderes da base do governo, alternativas para o aumento dos combustíveis. As possibilidades passam desde a definição de uma alíquota fixa do ICMS cobrada pelos Estados até a possível criação de um fundo de estabilização dos preços com dividendos da Petrobras pagos à União.

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, comentou que, se o preço da gasolina for represado, o Brasil terá desabastecimento. Segundo ele, a importação é responsável por cerca de 30% da gasolina e do diesel no país e, por isso, não é possível praticar uma política artificial de preços.

Conclusão

A discussão sobre a inflação de combustíveis vai além dos preços aos consumidores. A tramitação de acordos e soluções reflete no desempenho dos investimentos, pois aumenta essas discussões, esquenta o clima político e amplia a percepção de risco em relação a nossa economia. Por isso, vamos ficar ligados nos desdobramentos desta questão!

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