“Semana Veedha – O impacto de decisões de políticas monetárias do FOMC e do COPOM”

As decisões de política monetária nos Estados Unidos e Brasil são eventos relevantes para o mercado financeiro. Afinal, qualquer mudança na taxa básica de juros repercute nos investimentos. Em alguns casos, a relação é direta, pois a taxa Selic é usada para calcular a remuneração da aplicação. Em outros, as consequências dos juros na economia tornam alguns ativos financeiros mais interessantes ou menos atraentes.

A relação da Selic com o mercado de ações não é direta, pois a remuneração desses investimentos depende, em grande parte, do desempenho das empresas e do mercado imobiliário, respectivamente. Entretanto, a Selic afeta o desempenho da economia como um todo, e isso influencia a demanda de produtos, lucro das companhias, preços dos aluguéis, entre muitos outros fatores que podem significar uma performance melhor ou pior do mercado de renda variável.

O que está acontecendo no mundo?

O cenário inflacionário não é uma exclusividade do Brasil. Lógico que, guardadas as devidas proporções, podemos trazer ao leitor que, desde a virada do ano, a inflação nos Estados Unidos tem sido tema recorrente no mercado financeiro e, consequentemente, a especulação sobre a reversão da política monetária do Federal Reserve.

A retomada da atividade econômica está acontecendo junto com o processo de elevação dos preços ao consumidor. Por isso, o comunicado da última decisão de política monetária do Banco Central norte-americano indicou que eles pretendem começar a reduzir o programa de compras de ativo em breve, o “tapering”, e no relatório de projeções sinalizaram que a elevação dos juros pode acontecer em 2022, não mais em 2023 como projetavam em junho.

Mercado Acionário no Tapering em 2013

Fonte: Bloomberg

Diferentemente do observado em maio de 2013, quando houve o anúncio da reversão dos estímulos adotados na crise de 2008 e o mercado sofreu porque foi pego de surpresa, agora é esperado um processo gradual que suavize o efeito da retirada de estímulos. A intenção é não punir os mercados acionários, mas o fato é que os emergentes vão acabar sentindo. No caso do Brasil, o momento econômico e político pode influenciar na intensidade desse impacto!

O que está acontecendo no Brasil?

O cenário inflacionário é desafiador. Grande parte do descontrole inflacionário está associado aos preços administrados (leia a Carta Mensal). A sensibilidade desses preços a fatores de oferta e demanda é menor; os serviços e produtos possuem reajustes definidos por contratos ou regulados pelo setor público. A gasolina e a energia elétrica residencial são exemplos de preços que estão pesando no bolso da população, e mostram inflação de 21% e 30%.

Tudo indica que o IPCA encerrará 2021 ao redor de 8,5%. Devemos citar, ainda, que a questão climática resultou não apenas no risco hídrico, que elevou o valor da tarifa de energia, mas também interferiu na cultura de hortifrutis e grãos, com consequência secundária no setor de proteínas. Estamos falando da inflação da Alimentação em domicílio que, junto com os preços administrados, está comprometendo o poder de compra da população.

Outro fator para ficar de olho é a inflação de serviços. O processo de reabertura das economias está movimentando fortemente esse setor que estava adormecido. A projeção de uma desaceleração da atividade econômica ao longo de 2022 (as estimativas de PIB indicam desaceleração de 5% em 2021 para 1,5% em 2022) sugere que essa inflação seja passageira.

No próximo ano, o IPCA projetado para 2022 está ao redor de 4,5%. São computadas nessa variação uma acomodação no preço das commodities e uma desaceleração no ritmo da demanda diante de um cenário mais desafiador. Aqui entra uma observação relevante: os fatores que geraram grande parte da inflação em 2021 fugiam da previsibilidade, por isso nunca é demais garantir alguma proteção em relação à inflação.

Explicado o quadro inflacionário, o Banco Central indicou, na última reunião de política monetária, que manterá o ritmo de elevação dos juros em 1 ponto percentual, de maneira que a Selic encerrará 2021 em 8,25%. Seguir o ciclo no 1° trimestre de 2022 dependerá da evolução do quadro inflacionário e da condução da política fiscal.

Por enquanto, avaliamos que, na situação de resolução do Orçamento 2022 (que envolve resolver precatórios, fonte permanente de receita que seria por meio da reforma do IR e o Auxílio Brasil), o Banco Central teria condição de fazer uma pausa no ciclo de elevação da Selic. Se o cenário econômico evoluir nessa direção, o Ibovespa encontrará condições melhores de navegação ao longo do último trimestre.

Na Veedha Investimentos você pode contar com assessores que cuidam exclusivamente de renda variável!

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