“Carta Mensal – “Por mais forte que seja o vento, não perca o equilíbrio”

Setembro começou sem promessas de ventos melhores. Mesmo que seja possível observar alívios no curto prazo, o ambiente político e fiscal aliado às eleições de 2022 justificam uma visão parcimoniosa em relação à perspectiva da economia brasileira.

Precisamos conversar sobre os eventos que instauraram um pessimismo no mercado.

A escalada da inflação

Os brasileiros estão assistindo à chegada de uma inflação alta e persistente. O valor da bandeira de energia da Aneel despertou uma onda de revisões em alta para o IPCA de 2021, de 7% para 8%. Com a deterioração da crise hídrica, depois da pior estação úmida dos últimos 91 anos, o governo precisou recorrer à importação de energia, além de manter todas as termelétricas ligadas. O patamar de bandeira “escassez hídrica” elevou a taxa extra da conta de luz de R$ 9,49 para R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos e ficará em vigor de setembro desse ano até abril do ano seguinte.

Mas a tarifa de energia não é a única pressão e essa tendência preocupa muito. A energia é importante insumo dos setores da economia, especialmente da indústria, e a elevação nos custos de produção impactará a inflação desses itens à frente. No IPCA de agosto, 74% dos preços de bens e serviços mostraram subida nos preços; o espalhamento da inflação nesse nível foi visto pela última vez no governo Dilma.

O aumento nos valores dos alimentos industrializados é uma constante e seguirá forte. O IGP-M de agosto mostrou alta nos preços de itens agropecuários e industrializados com correspondência no IPCA, o que sugere aceleração desses preços nos próximos meses.

Resumo da ópera

O IPCA de 8% em 2021 tem alguns vilões dentro dos preços administrados, que são aqueles cuja sensibilidade a fatores de oferta e demanda é menor. São os serviços e produtos com reajustes definidos por contratos ou regulados pelo setor público.

No passado, diversos fatores foram responsáveis pela trajetória da inflação dos preços administrados, como eliminação de subsídios. Em 2021, a inflação de 12% dos preços administrados é consequência de alguns fatores:

  • O crescimento do preço do petróleo no mercado internacional e a desvalorização cambial tiveram papel importante no comportamento dos preços dos derivados de petróleo. Além disso, alterações nos preços desses itens influenciam indiretamente outros preços administrados, como transportes e energia elétrica.
  • A desvalorização cambial resultou em um crescimento maior dos índices gerais de preços (IGP-M), em comparação com a expansão dos índices ao consumidor, fazendo com que os preços de contratos indexados aos índices gerais apresentassem um crescimento maior que o dos preços livres.

A gasolina e a energia elétrica residencial são exemplos de preços que estão pesando no bolso da população. Eles devem assinalar inflação de 21% e 30%, respectivamente. Esses itens compõem os preços administrados que representam 27% do IPCA.

Projeção Veedha Investimentos

O forte componente inercial dos preços administrados é responsável pela maior persistência desses preços elevados. O que eu quero dizer com isso? Mesmo com expectativa de desaceleração da economia, que se traduziria num processo de desinflação, os preços administrados seguirão pressionados.

Selic de 8% ao fim de 2021. Mas há muita incerteza em relação à taxa de juros “terminal”. Essa indefinição tem sido um fator bastante negativo para a dinâmica dos ativos locais, sobretudo a Bolsa.

Curva de Juros – Brasil (%)

Fonte: Bloomberg

As movimentadas revisões sucessivas para cima na inflação corrente justificam a revisão da Selic de 7% há alguns meses para 8%. O Banco Central não conseguirá entregar a meta de inflação para 2021, de 3,75%, mas pretende fazê-la em 2022. Por isso, o esforço maior da política monetária, de conter as revisões de inflação para o próximo ano, é para projeções acima de 4%, com meta de 3,5%.

A indefinição do Orçamento para 2022 é outro aspecto que pode exigir uma Selic além dos 8% no próximo ano.  O risco fiscal “engorda” o prêmio da curva de juros; para 2026 a taxa alcança o patamar de dois dígitos.

O Executivo apresentou o Orçamento para 20, mas não atingiu o mercado. Os investidores ainda aguardam a resolução para precatórios, Auxílio Brasil e Reforma do Imposto de Renda, que foi aprovada na Câmara e agora enfrenta o desafio no Senado, onde o governo coleciona recentes derrotas.

Acreditamos que o governo adotará uma das alternativas “menos piores” para o Orçamento 2022 e que no curto prazo essa solução proporcionará recuperação dos ativos domésticos. Porém, o fato é que, com a proximidade da eleição, a tendência é de prevalecer uma visão mais conservadora para a virada do ano. 

Crise hídrica, juros altos e inflação: os obstáculos para o PIB 2022

No dia1° de setembro foi divulgado o PIB negativo referente ao 2° trimestre, -0,1% na comparação com o trimestre anterior. A expectativa era um crescimento de 0,2%. A surpresa negativa desencadeou uma onda de revisões para baixo para o crescimento de 2021 (de 5,5% para 5%) e de 2022 (de 2% para 1,5%).

A perspectiva de desaceleração econômica para o próximo ano é consequência de alguns fatores: 1) comprometimento da renda da população devido à inflação desancorada; 2) a taxa de desemprego ainda elevada, que também reduz a capacidade de consumo e; 3) a taxa de juros mais alta que posterga a decisão de investimentos em infraestrutura e encarece o crédito.

E o dólar?

O dólar abaixo de R$ 5,20, mesmo com o risco fiscal no radar, é resultado do fluxo comercial e financeiro. A balança comercial segue batendo recordes de exportações e o capital estrangeiro continua caçando oportunidades em economias emergentes; R$ 7,3 bilhões ingressaram em Bolsa.

Também precisamos falar das políticas monetárias. Ao mesmo tempo em que a inflação pede um Copom mais conservador, o Federal Reserve [que nem começou a redução do programa de compras de ativos] demora para subir o juro. A combinação destes dois fatores aumenta a atratividade do Brasil para o chamado investidor estrangeiro “predador”, dono de capital especulativo para investir.

No curto prazo, o real deve continuar se beneficiando do nível mais elevado da taxa Selic e da balança comercial, levando o dólar para próximo de R$ 5,00. Mas o ambiente no Brasil não favorece a manutenção do câmbio nesse patamar.

E a Bolsa?

Nós falamos sobre a revisão para cima na Selic.  Pois é! A expectativa de juros mais altos impacta negativamente a projeção para o Ibovespa. A XP Investimentos revisou de 145 mil para 135 mil pontos a projeção do Ibovespa em 2021, levando em consideração o aumento do custo de capital (taxas de juros de longo prazo) e rápido aumento dos resultados.

As empresas brasileiras apresentaram resultados saudáveis no 2° trimestre. A história Micro das empresas permanece sólida, mas o Macro predomina nas preocupações do mercado, por causa dos riscos fiscais e políticos.

A perda amargada pela Bolsa apresentou oportunidades interessantes, especialmente nas empresas que se beneficiaram da reabertura da economia, além da chance de adquirir ações de empresas com crescimento forte e balanço sólido. Para isso, converse com o seu assessor!

É provável que desfrutemos de alívios no curto prazo, mas alertamos que persiste uma preocupação com o ambiente econômico e político diante da aproximação das eleições do próximo ano.

Oportunidades de Investimentos

Seguimos com um cenário ainda desafiador para o Brasil e o curto-prazo pode nos reservar mais incerteza e volatilidade. Neste ambiente precisamos ser resilientes e pacientes, todavia, são nos momentos de incerteza que surgem oportunidades de alocação para aqueles com visão de prazo mais longo. O balanceamento dos portfólios, por meio de adição de ativos em outras geografias e em outras moedas, é uma estratégia a ser constantemente perseguida – este tipo de movimento ajuda a aumentar os ganhos das carteiras no longo-prazo e, muitas vezes, com menos volatilidade.

Seguimos construtivos e acreditando em investimentos de longo prazo em classes de ativos menos líquidas como os fundos de Private Equity. Existe grande potencial de valorização em setores e empresas que tem muito crescimento e ainda pouca ou nenhuma penetração na bolsa de valores local. Ademais, o mercado de fusões e aquisições está bem aquecido, o que tem feito alguns cases maturarem antes do esperado e gerado altos retornos.

Os fundos Long Biased, que investem em renda variável, mas em uma estrutura com alguma proteção e menos volatilidade, podem ser uma alternativa. Boas oportunidades de renda fixa também estão sempre no nosso radar e, com a alta de juros, voltam a ser mais atrativos.

Todas essas oportunidades se encontram disponíveis na nossa plataforma para todos os perfis de investidores. Fale com o assessor e construam, juntos, o portfólio ideal para os seus objetivos.

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