“Semana Veedha – Brasília pegando fogo, mas a bolsa tem valor e vai sobreviver!”

O Ibovespa está sendo ofuscado pelo tensionamento do cenário político, sobretudo em questões que envolvem o Judiciário e o Executivo, em um momento em que se acentua a percepção de um risco fiscal iminente.   As tratativas que a equipe econômica debate para acomodar mais gastos em 2022, como a elevação do Bolsa Família por meio do parcelamento dos precatórios, caíram mal no mercado, pois sugerem um calote.

A falta de medidas para o encaixe das despesas compromete a credibilidade do governo na condução da política fiscal e afeta os juros. Consequentemente, as projeções do PIB para 2022 são revistas para baixo; atualmente rondam 2%.

Somamos ao cenário, a insatisfação quanto à reforma tributária do Imposto de Renda. Estados e municípios reivindicavam uma queda maior da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) porque a arrecadação desse tributo recolhido pelo governo federal não é compartilhada com os governos regionais, ao contrário do Imposto de Renda, cuja receita é dividida com eles.

Os empresários estão insatisfeitos. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, considerou “inaceitável” a aprovação da reforma do IR. Para ele, as mudanças elevam a tributação sobre investimentos produtivos para compensar desonerações. O ambiente incerto para a tributação futura afasta aquele investimento privado de longo prazo, o que não acontece com o mercado de capitais que é especulativo e dinâmico.  

Mas é nítido que reduz o passo na infraestrutura (FBCF, a formação bruta de capital fixo). Os investimentos estrangeiros diretos no país (IDP) somaram US$ 174 milhões em junho, segundo dados do Setor Externo divulgados pelo Banco Central. O valor representa queda de 96,63% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o indicador totalizou US$ 5,165 bilhões.

O aumento dos riscos políticos e fiscais e preocupações com uma inflação mais elevada alçaram a percepção de risco no Brasil, o que alongou a expectativa de juros no Brasil.

A taxa de câmbio até ensaia alguma recuperação, diante das especulações do investidor estrangeiro sobre a Selic mais elevada, mas acaba pressionada pela busca de proteção, em virtude de tantas incertezas e do receio de que as coisas fiquem difíceis daqui até a eleição em 2022.

O lucro das empresas de capital aberto subindo mais de 1.000% no segundo trimestre, o avanço da vacinação e a reabertura gradual de economias pelo mundo abriram espaço para a maior parte das empresas do País mostrarem em seus resultados recuperação do baque profundo provocado pela pandemia. No Ibovespa, todas as 82 empresas reportaram resultados; 49% delas acima do esperado e, com surpresa, 28% também para cima.

Pois é, o fundamento microeconômico indica que a Bolsa tem valor e sobrevive quando o cenário macroeconômico acalmar. Nossa percepção para a superação desse momento é a entrega do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que o Executivo deve enviar ao Legislativo até 31 de agosto. Endereçar o orçamento 2022 sem alternativas mirabolantes para acomodar novos gastos e superar a discussão da reforma do Imposto de Renda (aprovando ou deixando para depois), mesmo que não da maneira ideal, acomodarão o mercado.

O tensionamento do cenário político, se não houver nenhuma disruptiva, faz parte do combo Brasil e justificará a volatilidade nos próximos meses. Agora, o mínimo é conseguir indicar a manutenção da responsabilidade fiscal para afastar o “tabu” de furar o teto de gastos.  

Para enfrentar a volatilidade, algumas estratégias são bem-vindas:

  • Diversificação para renda fixa;
  • A proteção pode vir por meio de operações que envolvam câmbio e/ou ativos internacionais;
  • Na renda variável, a aversão ao risco motiva migração para papéis considerados mais seguros, favorecendo empresas com histórico sólido de entregas e uma posição de liderança estabelecida.
    Entre as ações penalizadas no atual contexto estão as mais correlacionados com juros, como empresas de e-commerce e tecnologia por causa da maior exposição ao valor de longo prazo, e empresas do setor de consumo discricionário (não essencial) também por conta de receios em relação à demanda futura frente a uma menor renda disponível e confiança do consumidor mais baixa.

Em momentos de incerteza, é imprescindível revisitar a sua carteira de investimentos com seu assessor. Acreditamos que a informação gera a melhor decisão!

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