Veedha ESG – Tóquio e o ESG: A sustentabilidade nos Jogos Olímpicos.

Por: Luiz Fernando Quaglio


“Be Better, Together”. As Olimpíadas e Paraolimpíadas Tóquio 2020 terão como conceito: “Seja melhor, juntos, para o planeta e as pessoas”. Os Jogos Olímpicos de Tóquio têm tudo para se tornar os mais sustentáveis da história. 

Apesar de acontecer em meio insegurança ocasionada pela pandemia em suas diversas fases no mundo, o legado olímpico deste ano já possui marcas históricas celebrada pela inovação e inclusão de fatores sócio ambientais implementados de forma inédita. 

Destacamos Algumas destas iniciativas: 

Fatores Ambientais, novas referências. 

  • O evento conta com um código de compras sustentáveis, que garante a sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos, serviços e produtos licenciados. 
  • Meta de reciclar 65% de todos os resíduos gerados e a dar novo uso a 99% dos itens adquiridos especificamente para os jogos. Todo esse processo faz parte de um esforço do Comitê Olímpico de reduzir a pegada de carbono do evento. (Estima-se que os jogos do Rio, em 2016, tenham emitido 4,5 milhões de toneladas de carbono, enquanto os de Londres, em 2012, geraram 3,3 milhões de toneladas. Tóquio pretende quebrar esse recorde e prevê uma emissão que não passe de 2,9 toneladas de carbono). As emissões de gases de efeito estufa, serão 100% neutralizadas. No entanto, esse fator já um padrão das olimpíadas. 
  • A Tocha Olímpica:  A tocha que pesa 1,2 kg foi produzida com 30% de resíduos de alumínio recuperados de habitações temporárias construídas para as vítimas do tsunami de 2011 com a parte superior utilizando a mesma tecnologia empregada para produzir trens-bala. Ela é revestida em ouro rosa e as cinco pétalas desenhadas na ponta fazem referência aos anéis olímpicos. O designer Tokujin Yoshioka, responsável pela criação da tocha, revelou que o design final da flor de cerejeira foi inspirado em desenhos criados por crianças na área atingida no desastre de Fukushima.

Além disso, Uniforme de garrafa pet As camisetas, shorts e calças dos integrantes que irão carregar a tocha olímpica foram confeccionados com plásticos coletados pela Coca-Cola.

  • Medalhas:  Como manda a tradição, elas serão produzidas em bronze, prata e ouro, mas com uma pequena diferença: esses materiais serão provenientes de aparelhos eletrônicos reciclados. Os símbolos das conquistas foram inteiramente feitos a partir de materiais preciosos extraídos de eletrônicos descartados. Todos os aparelhos foram doados pela população e reunidos em pontos de coleta disponibilizados pelas prefeituras. Os eletrônicos passaram por um processo de classificação e desmonte para que os materiais desejados fossem extraídos.  Entre abril de 2017 e março de 2019, foram coletados mais de 6,21 milhões de aparelhos como celulares, laptops e câmeras digitais, que totalizaram quase 79 mil toneladas. Desse volume, foram extraídos 32 quilos de ouro, 3,5 quilos de prata e 2,2 quilos de bronze, o suficiente para produzir cerca de 5 mil medalhas.
  • O Pódio: Os vencedores subirão com suas medalhas em pódios de plástico reciclado (cerca de 45 toneladas) impressos em impressoras 3D. O material foi doado pela população e recuperado dos oceanos. As caixas de coleta foram alçadas em mais de 2 mil pontos da rede de supermercados AEON. Lá, os japoneses puderam deixar a quantidade de plástico que quiserem para contribuir com o projeto.  Depois a Procter & Gamble, uma das patrocinadoras do evento, transformou o material coletado nos pódios. Depois do evento, boa parte deles será doada e outra parte se converterá em recipientes de detergente e xampu.

A Vila Olímpica:  

  • As construções são todas temporárias e serão desmontadas após o evento. Toda madeira utilizada foi doada por 63 prefeituras, por meio da operação BATON, que na sigla em inglês significa “construindo a vila dos atletas com madeira nacional”. O objetivo é evitar a emissão de carbono proveniente da importação de madeira e será devolvida após os Jogos. Além disso, mais da metade das edificações que estão utilizadas já existiam, e ainda receberam novos equipamentos que aumentam a eficiência energética da construção.
  • O transporte dentro da Vila Olímpica está sendo realizado por veículos elétricos e autônomos. O APM, como foi batizado tem capacidade para levar até cinco pessoas ao mesmo tempo, anda até 20 km/h e com uma única carga de bateria consegue rodar até 100 quilômetros.

Para o evento esportivo serão produzidos 200 modelos do carro com o intuito de facilitar a logística de transporte entre as diferentes arenas – uma espécie de complementação de trechos de viagens. O embarque rápido e fácil no e-Palette, da Toyota, pode ser feito por qualquer pessoa – inclusive, toda a vila olímpica é acessível e facilitada para todas as deficiências.

  • Cama de papelão: Foram fabricadas 26 mil das tão faladas camas da Vilas Olímpica. Todas elas serão feitas com papelão e fortalecidos com trechos de madeira pela empresa especializada Airweave. Os colchoes foram produzidos a partir de reciclagem de componentes plásticos (e de base de polietileno).  Os modelos foram escolhidos individualmente pelos atletas e possuem uma estrutura que suporte até 200 Kg. 
  • Eletrodomésticos sob demanda: Geladeiras e televisores, assim como outros eletrodomésticos, precisarão ser alugados por um valor fixo. Isso porque só serão necessários caso os atletas não queiram se alimentar na área de refeições do evento, que é bem estruturada para isso. Nos quartos, os aparelhos de ar-condicionado serão doados após o evento para populações que moram em áreas atingidas pelo terremoto e tsunami de 2011.
  • Energia de hidrogênio: Os jogos japoneses também estão sendo chamados de a Olimpíada do hidrogênio. As caldeiras da vila olímpica e a tocha estão sendo abastecidas com o combustível de hidrogênio verde, considerado a próxima geração de energia renovável.

Aspectos Sociais, um pouco do S nos JOGOS. 

  • Na cerimônia de abertura, além da homenagem às vítimas de Covid-19 e do terremoto de 2011,  a diversidade e inclusão foram destacadas em vários momentos. Seis atletas, sendo três mulheres, fizeram o juramento olímpico. A pira olímpica foi acesa por Naomi Osaka, tenista japonesa, negra e filha de imigrantes, e a primeira da modalidade a conquistar um Grand Selam pelo país.
  • LGBTQI+: As Olimpíadas têm, pelo menos, 163 atletas LGBTQIA+, algo inédito na história do evento. Nos Jogos do Rio 2016, foram 56 atletas, enquanto em Londres 2012 foram 23. São 27 países com esportistas LGBTQIA+ em Tóquio. Os EUA lideram a lista com mais de 30 atletas, seguido pelo Canadá, Reino Unido e Países Baixos com 16. Já o Brasil possui 14, sendo seis somente no futebol. 

Além disso, um feito inédito. A Atleta Laurel Hubbard será a primeira atleta transgênero da história da Olimpíada e disputará a modalidade de levantamento de peso feminino +87 Kg. 

  • Inclusão de gênero: No Japão, a participação feminina será recorde na quantidade e proporção de atletas. Dos quase 11 mil atletas, 48,8% serão de mulheres e 51,2% de homens. Esse marco só foi possível porque o COI (comitê Olímpico Internacional) decidiu diminuir as vagas masculinas e ampliar a oferta de modalidades femininas. 
  • “O Banqueiro dos Pobres”: Muhammad Yunus foi homenageado com o Laurel Olímpico –  prêmio do Comitê Olímpico internacional em homenagem aos que “promoveram grandes realizações na educação, cultura, desenvolvimento e na paz através do esporte. Yunnus, conhecido no mundo como “Banqueiro dos pobres” (título também de um de seus livros), é Nobel da Paz de 2006, professor, economista, escritor e empresário de Bangladesh. Em 1976 fundou o Banco Grameen, o primeiro banco de microcrédito do mundo que oferece um modelo de pequenos empréstimos para pessoas em situação de vulnerabilidade

Algumas pautas também se desenvolvem no decorrer dos jogos envolvendo atletas e delegações. 

  • O debate do sexismo e racismo ligado aos uniformes: Após episódios sequencias envolvendo roupas das atletas se acumulam e reverberam em Toquio.  Em 2016 com o Hijab da atleta egípcia do vôlei de praia; com o macacão de Serena Willians em 2018. A multa a equipe norueguesa de handebol de praia que se recusou a utilizar biquíni no campeonato europeu; A equipe alemã de ginastica, em protesto, já havia utilizado macacões de corpo inteiro na etapa de qualificação da Olimpíada de Tóquio em posicionamento contra a equalização da modalidade. Em 2021, a proibição da utilização de touca de natação com atleta britânica Alice Dearing. 
  • Proibição de manifestação antirracista:  Na primeira rodada do futebol feminino, atletas de cinco seleções se ajoelharam em campo antes do início das partidas. O gesto se popularizou como forma de protesto após a morte de George Floyd, no estado americano de Minnesota, no ano passado. As manifestações foram feitas por jogadoras do Chile, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Suécia e Nova Zelândia.

O COI (Comitê Olímpico Internacional) proibiu as equipes de mídias sociais da Olimpíada de Tóquio de publicarem fotos e vídeos de protestos antirracistas feitos por atletas durante os Jogos. A orientação gerou surpresa nas equipes das redes sociais uma vez que o COI celebra imagens icônicas de protestos, entre elas os americanos James Cleveland Owens nas olimpíadas de Berlin de 1936 “calando” Hitler no estádio nacional; e Tommie Smith e John Carlos erguendo os punhos durante a Olimpíada de 1968 em manifestação contra a desigualdade racial nos Estados Unidos. 

  • Saúde Mental: Outra surpresa dos Jogos foi o abandono das finais pela estrela do time americana, a ginasta Simone Biles. Alegando a preservação da sua saúde mental, Biles desistiu de disputar a final olímpica por equipes. O recado foi a priorização de sua saúde psíquica, um marco na história do esporte e dos jogos Olímpicos. O tema é colocando como de extrema relevância, em especial, em período de pandemia com o agravamento de doenças mentais em todo o mundo.  

Conclusão 

Sem ignorar os problemas, e os desafios que o mundo ainda enfrenta, o tom dos jogos olímpicos de Tóquio é de solidariedade e superação. 

A transformação no mundo está se consolidando. Os jogos Olímpicos ratificam, mais uma vez, um marco histórico dessa jornada. 

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