Veedha ESG – O PAPEL DO ESG NA RENTABILIDADE.

Por: Luiz Fernando Quaglio

Investidores conscientes devem examinar sempre a fundo todas as informações públicas que as companhias dispõem. Se os recursos tradicionais de informação de finanças são importantes para uma boa avaliação, para as questões socioambientais são fundamentais. É crucial que as abordagens ESG sejam verificadas para uma análise mais completa e abrangente possível das empresas e investimentos.

Dentro de uma abordagem inicial, é factual que pensemos em uma correlação direta entre fatores ESG e desempenho financeiro. Afinal, empresas mais Sustentáveis tendem a passar um impacto positivo e, dentro de um arcabouço moral (e no imaginário), isso tem um valor simbólico que pode se materializar financeiramente, se assim for reconhecido pelo mercado e integrado ao preço do serviço ou produto. Ainda, por estarmos num momento especial de transição, é viável que se possa argumentar que a relação entre ESG e este desempenho se deve ao fato de que as empresas mais lucrativas têm recursos para investir em áreas que influenciam positivamente ESG. Também pode ser que a lucratividade aumente como resultado de uma empresa administrar melhor seus riscos ESG materiais, ou pode ser um pouco de ambos. Se for um pouco dos dois, isso significa que as boas iniciativas ESG aumentam o desempenho financeiro, o que então fornece os recursos monetários para tornar uma empresa ESG ainda melhor, reforçando o desempenho novamente. E assim por diante.

No entanto, apesar de os efeitos da sustentabilidade ainda não estarem ratificados diretamente nos preços, e ainda que não seja possível quantificar seus impactos no longo prazo, podemos afirmar que os resultados da transição para um modelo econômico mais sustentável terão a capacidade de afetar os portfólios e precisarão ser integrados a estratégias de alocação de longo prazo.

Empresas que incorporam fatores ESG em seu planejamento estratégico de longo prazo – e comunicam esse fato aos investidores – fornecem uma imagem mais completa de seu valor e potencial. Alguns dados de pesquisa nos dão pistas desta união entre a integração ESG e a rentabilidade ligada ao Valor. Um estudo da Universidade de Oxford de 2015 avaliou como as práticas corporativas sustentáveis ​​afetam os retornos de investimento. A pesquisa mostrou que o desempenho operacional e o do preço das ações das empresas podem ser positivamente influenciados por boas práticas de sustentabilidade e ESG¹.  Em resumo, verificou-se que:

. 90% dos estudos mostram que empresas com políticas e alta performance ESG possuem menos custo de capital;

. 88% dos estudos mostram uma correlação positiva entre sustentabilidade e performance operacional;

. 80% demonstram uma correlação positiva entre sustentabilidade e performance das ações.

Na prática, há uma complexidade em assimilar com sucesso os fatores ESG no processo de investimento a fim de capturar o alfa²[i] claramente demonstrado em pesquisas acadêmicas. Ademais, existe uma gama extensa de dados corporativos “excessivos” ou fora do eixo das prioridades das companhias que podem aparecer como “ruídos” e mascarar o valor potencial daquele determinado ativo. As metodologias que medem e quantificam o desempenho ESG de uma empresa variam amplamente, assim como a qualidade das pesquisas ESG existentes. Essas questões de “qualidade e quantidade” podem alimentar uma visão equivocada de que o ESG não tem valor e que incorporar informações pode afetar negativamente o desempenho.

Para tanto, há um consenso de que os fatores ESG bem executados carregam em si “drivers de valor”. Alguns deles estão relacionados a:

. Aumento do potencial crescimento, dada a qualidade dos ativos

. Redução de custos

. Mitigação de riscos regulatórios e operacionais

. Aumento de produtividade

. Alocação e otimização de recursos, incluindo dados não financeiros. Analisar os dados ESG para identificar o que é útil é uma etapa central para qualquer fase de integração bem-sucedida. Investidores que se utilizam das abordagens ESG entendem que as informações são imperfeitas e, muitas vezes, distorcidas, havendo uma necessidade de “limpar” os dados para obter clareza. Esse processo pode implantar alavancas de oportunidades e gerar negócios com alto potencial de retornos superiores às médias do mercado.


Fontes:

1. From the Stockholder to the Stakeholder, Oxford University and Arabesque Parteners Study. 2016. In “Sustainable Investing”.

Share this post

There are no comments

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Start typing and press Enter to search

Shopping Cart