“Semana Veedha – Para o alto e avante!”

Selic em 4,50%. E a Bolsa?

A Bolsa brasileira está entre as melhores performances do mundo. O Ibovespa em dólares já sobe +10,4% no ano, acima da Nasdaq (+9,1%) e próximo do S&P500 (+13%), do MSCI Global (+11%) e do Euro Stoxx (+15%). No começo do ano, o Ibovespa estava entre as 10 piores, quando comparada à performance de 2021. Mas, com a redução na percepção de risco, melhores condições das contas públicas no curto prazo e ausência de noticiário político nocivo, os investidores ficaram mais confortáveis para reingressar no Brasil.   

Bolsas em US$


Fonte: Bloomberg

Desde março, ingressaram R$30 bilhões de fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira, sem considerar os fluxos para os IPOs. O trânsito de capital estrangeiro na Bolsa nacional foi positivo no mês de maio e nos primeiros dias de junho de 2021, com um saldo de R$20,1 bilhões. O ritmo de entrada de capital acelerou novamente, após saldo negativo em fevereiro e março (-R$8,5 bilhões).

A relevância do investidor estrangeiro (com participação de 46% na Bolsa) justifica a apreensão do mercado com esse movimento. Afinal, essa transferência robusta tem ajudado o Ibovespa a renovar as máximas de preços.

Saldo Acumulado do Ano do Estrangeiro na Bolsa


Fonte: XP Investimentos

O cenário construtivo e otimista para a Bolsa brasileira contribuiu para inseri-la entre as melhores performances do mundo nos últimos três meses e ampara a expectativa para que o fluxo do investidor estrangeiro siga positivo nos próximos meses. O que sustenta essa expectativa?

  1. Ciclo favorável das commodities: o índice de CRB de preços das commodities sobe +52% nos últimos 12 meses, e várias commodities importantes para o Brasil, como minério de ferro, petróleo e soja, sobem bem mais que isso.
  2. Recuperação da economia doméstica: as expectativas para o PIB 2021 aproximam-se de 5%. Há algumas semanas essa projeção estava ao redor de 3,5% apenas. Além do ciclo das commodities e um PIB mais forte que o esperado no 1º trimestre, a aceleração da vacinação e a expectativa da reabertura da economia no 2º semestre estão por trás da melhora das estimativas para o ano. Essa aceleração ajudará as empresas da Bolsa a aumentarem seus lucros.

Já comentamos, algumas vezes, que os aspectos microeconômicos sustentam as condições de investimentos em renda variável. As empresas brasileiras estão em uma situação mais confortável de endividamento. O nível de endividamento médio do Ibovespa hoje está em 1,5x Dívida Líquida sobre o EBITDA (lucro operacional), bem abaixo dos 4-5x que esse indicador se encontrava há alguns anos. Apesar da alta recente, a Bolsa brasileira continua barata, negociando a 10,8x Preço/Lucro para 2021, abaixo da média histórica de 12,5x.

Existem muitas oportunidades no Ibovespa. Recentemente, as empresas de consumo doméstico passaram a se beneficiar da expectativa mais positiva para o segundo semestre, com a reabertura da economia. Fora isso, comentamos inúmeras vezes que a atividade econômica global aquecida mantém condições favoráveis às exportadoras de commodities e setores correlatos.

Nessa semana, outro tema entra no radar dos investidores, a elevação da taxa de juros. Isso levanta o questionamento: a Bolsa perderá a atratividade?

Não, a Bolsa seguirá atraente em relação à renda fixa. Segundo cálculos da XP Investimentos, a Bolsa apresenta rendimento dos lucros (Earnings Yield) de 9,3%, 5,4% acima dos juros reais, medidos pela NTN-B de 2030, que está com juros de 3,9% a.a. A média histórica é de +4,4% de rendimento para a Bolsa acima dos juros reais.

Tradicionalmente, pensamos que os setores que respondem positivamente à alta dos juros no Brasil estão restritos aos bancos e seguradoras, enquanto varejo e construção civil poderiam sofrer impacto negativo. No entanto, não é a situação!

A elevação de juros nesse momento traz mais previsibilidade sobre os preços futuros, o que será positivo para os valores das ações. Além do mais, a elevação dos juros não altera a expectativa da retomada econômica para 2021, por isso os setores mais suscetíveis à redução de estímulos não serão depreciados, como varejo e serviços domésticos. A previsão para Selic ao fim de 2021 é 6,25% e mesmo que haja elevação da Selic nessa semana para 4,50%aa, com o IPCA acumulando alta de 8,06% em doze meses, estamos vivendo uma taxa de juro real (aquela que desconta a inflação) ainda bem negativa (ao redor de 3,5%aa). Por isso, entre em contato com o seu assessor e entenda como essa elevação dos juros pode mexer nos seus investimentos.

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