Veedha ESG – Setor financeiro e o futuro Sustentável

Por: Luiz Fernando Quaglio

Há uma visível mudança ocorrendo na dinâmica da economia global. Com o desdobramento da crise do Covid-19, empresas e investidores vislumbram a integração entre lucros e impactos positivos.  Uma percepção de que a estabilidade econômica está diretamente relacionada às questões das desigualdades e responsabilidades socioambientais. E o sistema financeiro é parte fundamental na forma como as economias modernas se desenvolvem.

Bancos, fundos de pensão, seguradoras, investidores institucionais desempenham um papel indutor no apoio e viabilização do crescimento e desenvolvimento econômico sustentável.  O setor financeiro dispensa capital para um enorme ecossistema de diferentes atividades econômicas e projetos, detendo, assim, influência direta sobre os impactos gerados. Portanto, o próprio sistema financeiro também é suscetível a desafios de sustentabilidade que podem prejudicar a capacidade dos fiduciários e de outros investidores institucionais de cumprir seus objetivos, independentemente das decisões de investimento que tomem.

Para tanto, as finanças sustentáveis e os atores de integração se movem para a introdução de fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) no DNA das instituições, desde a concepção de governança numa dimensão organizacional, gestão de riscos, análises e avaliações externas, até tomadas de decisões de investimentos, financiamento e crédito. O número de instituições financeiras que integram ESG em seus propósitos vem aumentando de forma acelerada. Porém, esse potencial se dá de forma assimétrica e com variáveis que incidem, em especial, nas questões regulatórias e aspectos específicos, até pelos desafios regionais.


No Brasil, as instituições avançam, mas em descompasso com seus pares internacionais. Segundo dados do ranking elaborado pela ONG Global Canopy – e divulgados pelo jornal Valor Econômico –, “a adoção de medidas contra risco florestal nas operações das 500 companhias mais influentes do setor financeiro evidencia o mau desempenho do Brasil. A instituição brasileira mais bem cotada, mas com apenas 39% das recomendações cumpridas, é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seguido do Banco do Brasil (29%) e do Itaú Unibanco (19%). O banco francês BNP Párias é o mais bem avaliado, com 62%”.[1]


Outro fator importante abrange a responsabilidade dos riscos envolvidos em suas operações. As instituições financeiras têm a obrigação e devem incluir as variáveis socioambientais no custo dos seus financiamentos como um elemento potencial de risco para o seu próprio negócio. Neste quesito, existem muitas ferramentas que dão subsídios para avaliação em estágios anteriores à liberação de recursos ou investimentos: compromissos de autorregulação, monitoramento, tecnologias de dados e metodologias para medição de saldos de financiamento por atividade sob o viés socioambiental.

Medidas regulatórias importantes também projetam a inclusão dos agentes financeiros como parte de uma cadeia responsável pelos impactos na produção e suas consequências, justamente o cerne do debate para o setor relacionado à sustentabilidade. Para transformar esse compromisso em ações concretas, medidas importantes estão sendo elaboradas para desenvolvimento da indústria:

– Consulta pública do Banco Central 85/2021, que discute o gerenciamento de risco e a responsabilidade socioambiental dos bancos;

–  Implementação do Task Force on Climate – Related Financial Disclosures (TFCD), para compartilhar conhecimento e ferramentas desenhadas de acordo com o contexto nacional e ampliar informações financeiras relacionadas às mudanças climáticas;

– Autorregularão 14 da Febraban, que especifica a prática da regulação do Banco Central sobre os riscos socioambientais (RSA);  

– O “Princípio do Equador”, denominação dada às diretrizes socioambientais criadas pela Internacional Finance Corporation – IFC, entidade ligada ao Banco Mundial que financia projetos junto à iniciativa privada.


A integração ESG ao setor financeiro abrirá um caminho para todas as partes interessadas, que serão, então, levadas em conta no processo de tomada de decisão.   Ao compreender os vínculos e interações entre as diferentes partes e como o sistema financeiro se relaciona com outras parcelas da economia e da sociedade, podemos capacitar os investidores e empreendedores a assimilar o impacto e a operação do sistema financeiro como um todo.  Incluindo, aqui, propósito, características e eficácia frente aos desafios climáticos, ambientais e sociais das próximas décadas. 


O mundo tem a oportunidade de redefinir e construir um sistema econômico aprimorado e de modo responsável. E nenhum setor está em melhor posição para conduzir essa transição para um futuro sustentável do que o próprio setor financeiro.

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