“Carta Mensal – “desfrute do otimismo com moderação”

A máxima do mercado financeiro “sell in may and go away” (venda em maio e saia do mercado, na tradução) pode ser tachada como um velho ditado; o mês de maio de 2021 trouxe muitas surpresas positivas ao mercado financeiro.


Ao longo do último mês, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil caminharam para um patamar entre 4,5% e 5% em 2021. Os números do PIB do 1° trimestre confirmaram a maior resiliência da economia doméstica. Apesar do agravamento da pandemia em meados de fevereiro e da interrupção das transferências emergenciais de dinheiro para as famílias mais vulneráveis ao final de 2020, a economia brasileira continuou em trajetória de recuperação com crescimento de 1,2% na comparação com o último trimestre de 2020.


No entanto, é necessário trazer à luz alguns aspectos dessa estatística. Nosso papel é clarear o noticiário para que o leitor compreenda possíveis percalços na trajetória dos ativos domésticos. Afinal, o mercado antecipa os fatos e, nesse momento, projeta nos preços dos ativos a perspectiva de retomada econômica. Qualquer frustração com indicadores econômicos, porém, pode alterar essa trajetória.


A correção ex-commodities no Ibovespa


O Ibovespa traça rota em patamar recorde, em grande parte sustentada pelas empresas exportadoras de commodities, que são amparadas no crescimento da economia global. O otimismo recente com a recuperação da atividade econômica no Brasil fomentou empresas ligadas ao consumo interno, que ainda sofriam com as incertezas tanto para o quadro da saúde quanto para o quadro econômico.


O recuo do Indicador de Incerteza Brasil do FGV – IBRE – em maio reflete a melhora dos números da pandemia no mês e a continuidade da campanha de vacinação no Brasil. Ainda que observemos um recrudescimento na situação da pandemia, fator que se mantém no radar do mercado, a avaliação é que o impacto na economia seria mais moderado.

Incerteza econômica

Fonte: Ibre/FGV


A atividade econômica mais forte do que se previa anteriormente e sinais de andamento das reformas no Congresso injetaram otimismo no mercado financeiro. Indicadores melhores da atividade e da arrecadação estão levando a um progresso nas previsões fiscais. Não houve avanço estrutural com as reformas econômicas. No entanto, a arrecadação evita um mal-estar no curto prazo, pois alivia o endividamento do país, o que reduz a percepção de risco em prazo reduzido. Mas, atenção: qualquer alteração no quadro das finanças públicas pode influenciar no humor dos investidores, principalmente do estrangeiro, assim como uma piora no quadro político.


O CDS — também conhecido como Credit Default Swap — é um título derivativo do mercado financeiro. Ele oferece, então, uma proteção para quem busca diminuir os riscos ao adquirir uma carteira de crédito. Ou seja, se ele está baixo, indica que a percepção de risco é baixa também, pois não está havendo demanda para sua contratação. Como a situação no quadro a seguir, que ilustra o Brasil. Veja também a influência na taxa de câmbio!


CDS (Credit Default Swap) – Brasil

Fonte XP Investimentos

A divulgação de índices de confiança do consumidor, construção e indústria referentes a maio, que indicam retomada em relação aos meses anteriores, tem como marca a expectativa pelo recrudescimento da pandemia. Embora a percepção da situação atual permaneça majoritariamente em patamares mais baixos, os índices de confiança foram puxados especialmente pela melhora das expectativas.


Fonte: Ibre/FGV


O momento é de otimismo, mas precisamos clarear nossa visão sobre fatores que podem afetar essa rota. Onde mora a cautela? Vamos olhar para além do curto prazo.

  1. Tudo caminha para o PIB ficar acima de 4% em 2021, mas nada assegura que esse ritmo se sustente. Para o ano que vem, a previsão de crescimento é de 2,25%. A recuperação do mercado de trabalho é lenta e uma desaceleração no crescimento econômico no próximo ano pode dificultar a redução na taxa de desemprego.
  2. A inflação foi menos afetada pelo segundo surto de infecções, pois os serviços foram menos afetados, enquanto os preços globais das commodities aceleraram com a retomada da demanda global. Aqui mora o desafio do investidor, lidar com o “cenário mais inflacionário”.


As commodities geraram lucros na Bolsa, mas causam prejuízo ao consumidor que está de olho na inflação. Em 12 meses, o IGP-M acumula alta de 37% até maio e o IPCA, 6,76%, até abril.


Inflação no Brasil

Fonte: Bloomberg

As commodities exibiram alta de 26% em real no acumulado do ano e os preços ao produtor (IPA) do IGP-M aumentaram pouco mais de 10% nos primeiros quatro meses do ano. Esses efeitos são sentidos no varejo, no bolso do consumidor. O IPCA deve atingir 8% na base de comparação anual em maio e depois “cair” para 5,5% ao final do ano de 2021, muito acima da meta do Banco Central de 3,75%.


A revisão para cima na inflação extrapolou para 2022; aproxima-se de 4%. Esses sinais de “desancoragem” das probabilidades de inflação servem para o investidor como um indicativo de elevação de juros, pois assim funciona a política monetária. As expectativas para a Selic estão consolidadas ao redor de 5,75%, mas não seria um absurdo pensar na possibilidade de a taxa ficar entre 6% e 6,5% ao fim deste ano.

Oportunidades de Investimentos


Maio foi um mês muito positivo para a Bolsa brasileira e para o real. As percepções sobre o país tornam-se mais positivas à medida que avançamos na vacinação e a economia reabre. Tivemos também um aumento nas expectativas de inflação e de crescimento, o que nos traz algum otimismo – acompanhado de bastante cautela.


A inflação não é necessariamente uma má notícia; empresas podem se sair bem com a alta de preços e um cenário positivo de forte retomada das atividades econômicas. Empresas relacionadas às commodities historicamente tendem a ter um bom desempenho neste cenário, assim como os setores de Infraestrutura e Consumo.


Infraestrutura: tem por característica ser composto por empresas cujos contratos possuem uma tendência de reajuste indexado a algum índice de inflação, como o IPCA ou o IGP-M, por exemplo. Dentre as empresas, podemos citar as de energia elétrica (geração, transmissão e distribuição) e as de concessões rodoviárias, assim como as de serviço de transporte.


Consumo: empresas que operam em nichos de mercado, que são capazes de aumentar seus ganhos devido às condições favoráveis ​​de oferta e demanda em seus próprios setores, dentre elas destacam-se: construção civil, varejo, vestuários, shoppings; assim como as ligadas ao turismo, segmento que deverá retomar rapidamente com o avanço da vacinação.


Commodities: no cenário de retomada econômica, os programas de estímulo dos governos em todo o mundo, em especial os de infraestrutura, estão gerando uma significativa demanda por matérias-primas, que não dependem apenas da China, mas de diversos países que estão procurando fazer melhorias estruturais após a pandemia. Dentre elas, destaque para petróleo e minério de ferro.


Buscarmos maneiras de nos proteger da inflação mais alta, aumentando as posições em ativos atrelados ao IPCA, Fundos De Investimentos que tenham como benchmark o IMA-B e aqueles que, historicamente, investem em commodities. Além de uma carteira de ações diversificada dentro dos setores destacados acima.


Internacional


Não somos os únicos a enxergar uma inflação mais forte. Muitos, até, temem que o Federal Reserve (o Fed, Banco Central dos Estados Unidos) demore a responder a uma inflação mais alta, pois há tempos os EUA não sofrem desse mal. Se isso ocorrer, em algum momento do futuro eles terão que reagir com mais força para controlar as expectativas futuras de inflação, subindo os juros com maior velocidade.


Nas carteiras, essa probabilidade faz com que tenhamos mais cautela, especialmente no espaço de renda fixa global, que já ocupa hoje uma posição menor do que no passado. Em contrapartida, podemos investir em setores historicamente defensivos, como os de óleo e gás, utilidades públicas e bens de consumo que têm, em média, as maiores correlações com a inflação americana. Conseguimos, com as BDRs (Brazilian Depositary Receipts), investir nesses setores.


Para aproveitar também as oportunidades com o crescimento global, podemos investir nos Fundos Internacionais. Existe uma ampla oferta de produtos nas classes multimercado e renda variável, com foco em diferentes geografias: mercados emergentes, Ásia, Europa, Estados Unidos, mercados globais, América Latina.


Mantenha o contato com o seu assessor para garantir que o seu portfólio esteja balanceado. As perspectivas de longo prazo devem guiar suas decisões de investimentos, mas é fundamental entender os fatores que podem influenciar os mercados.

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