Veedha ESG – Agro tech e pop é Agro ESG

Por: Luiz Fernando Quaglio



O agronegócio é responsável por 26% do Produto Interno Bruto (PIB), 42% das exportações totais e 30% dos empregos brasileiros (diretos ou indiretos). Com pouco mais de 2,5% da população global, o Brasil cultiva tanta terra quanto a Espanha e a França juntas, o que corresponde a 7,6% do território.

Na B3, considerando os setores que contemplam Agriculta, Açúcar e álcool, Alimentos diversos, Carnes e derivados, o Agrobusiness corresponde a aproximadamente 5% da Bolsa brasileira. 


O campo brasileiro possui uma cultura empreendedora vibrante. A maior parte de nossas empresas, porém, continua afundada num primitivismo produtivo, sem práticas ou tecnologias avançadas. O chamado “Agrotech 4.0”, que agrega alta tecnologia de produção, é exceção. Grande parte de nossas maiores empresas, por atuarem no aproveitamento de recursos naturais, estão restritas a um repertorio estreito de tecnologias e práticas sustentáveis. O agro brasileiro é um dos mais competitivos e produtivos do mundo e contribui, em grande parte, para “pagar a conta” do consumo do país.  Mas o preço é alto.

Cerca de 73% das emissões de CO² brasileiras são provenientes de atividades agropecuárias.

A quantidade de gases de efeito estufa ocasionada pela mudança de uso da terra subiu 23% em 2019, atingindo 968 milhões de toneladas de CO² equivalente. As emissões por mudança de uso da terra cresceram 64% no Brasil, número que vai na direção oposta à meta da lei que previa redução do desmatamento na Amazônia em 80% em 2020, comparado à média entre 1996 e 2005.

As emissões no país bateram recorde mesmo em um ano de crise econômica. Diferente do perfil de outros países, a maior parte das emissões brasileiras está ligada ao uso da terra e ao desmatamento, e não por uso de combustíveis fósseis.

O paradoxo: as mudanças climáticas prejudicam o Agronegócio!

Segundo o pesquisador do Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Hilton Silveira Pinto, que participa de um grupo de análise das mudanças climáticas,  “se nada for feito em relação ao manejo, desenvolvimento de variedade ou aplicação de tecnologias, o primeiro impacto será sentido com perda de 12,5% da área produtiva devido ao aumento da temperatura e à deficiência hídrica”.

Estes e outros impactos,  associados à perda da produtividade, exigem medidas para o controle da degradação e regeneração de áreas afetadas, evitando, assim,  a perda de terras cultiváveis em grandes quantidades.

Novas tarefas exigem novos métodos.

A receita é: financiamento, estruturas e alta tecnologia. Também: desconcentrar recursos e expandir uma cultura de ganho de produtividade agrícola nos mesmos espaços, melhor utilização de insumos e de áreas preservadas com um ciclo contínuo de geração de atividades que gerem receitas e conservem o meio ambiente. Redução de custos e ganho de escala com biotecnologia, diminuição e regeneração do impacto socioambiental gerando segurança e renda às comunidades e trabalhadores. Embora uma pequena parte do “Agrotech” esteja na vanguarda deste modo de produção, é necessário um esforço maior, com metodologia, para uma mudança estrutural na forma de produção.

Técnicas sustentáveis são aliadas poderosas nesta reestruturação. Algumas já conhecidas:

Agricultura de precisão; mapeamento de colheita; máquinas agrícolas autônomas de alta tecnologia; BI e big data para coleta de dados; integração contínua de lavoura-pecuária e preservação/regeneração; gerenciamento preciso de atividades e produtividade; revisão para utilização de biodefensivos agrícolas e utilização de biotecnologia para uma produção mais sustentável e segura.

A princípio, o esforço fundamental é a democratização do acesso aos recursos disponíveis também aos pequenos e médios produtores. Remodelação na utilização da terra por meio de capacitação e incentivos de crédito e financiamento a uma agricultura sustentável. Implementação de valor agregado à produção orgânica aliada a uma mudança nos padrões de consumo de alimentos. Reordenamento de leis e regulamentos com tolerância zero a desmatamento e má utilização da terra.

O agro Brasil está no centro do debate global. No imaginário geral, é o vilão do desmatamento com grande repercussão nos negócios. A pressão de investidores já é sentida pelo agroexportador com a retirada de investimentos por grandes investidores institucionais estrangeiros ao longo dos últimos anos.

Ao agro brasileiro não basta ser tech, muito menos pop. Chegou o tempo de se transformar, definitivamente, em um Agro ESG.

A Veedha ESG Incentiva os investidores a realocarem seu capital de empresas que causam impacto negativo para empresas agro que geram impacto positivo. É possível ter rentabilidade e resultado positivo gerando as mudanças necessárias para o Planeta.

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