“Semana Veedha – Câmbio abaixo de R$ US$ 5,00. É possível, mas permanecer é incerto!”

O processo de recuperação da atividade econômica global seguirá pautando o movimento dos mercados globais, pois coloca em evidência o debate sobre um cenário “mais inflacionário” devido à manutenção dos estímulos monetários e fiscais, principalmente nos Estados Unidos. Ora o assunto gera aversão ao risco, elevando os rendimentos dos Treasuries, apreciando o ouro (que serve como reserva de valor) e depreciando o mercado acionário, ora o assunto ameniza e as bolsas, principalmente as norte-americanas, apreciam e batem recordes.

A inflação global continuará pautando os negócios no ambiente internacional; é um assunto pendular como exposto acima. A torneira do estímulo fiscal gera apreensão sobre o cenário de médio a longo prazo. Mas o fato é que, no curto e médio prazo, o Federal Reserve não deve reverter os estímulos monetários.

No cenário global, a manutenção dos fortes estímulos fiscais anunciados nos Estados Unidos levou a revisões para cima nas previsões de crescimento mundial, com repercussões importantes sobre preços de commodities e expectativas de inflação e juros nos EUA.

O Federal Reserve vem reforçando que, ainda que a inflação avance, eles não irão reverter os estímulos tão cedo. Essa comunicação influenciou a queda da moeda americana, mesmo que em alguns momentos pese a alta dos rendimentos dos Treasuries sobre ativos de risco, que está baseada na evolução da inflação no mundo. O gráfico abaixo mostra que algumas das moedas mais fortes já perdem para o dólar esse ano.

Moedas do G10 x Dólar (%)

Fonte: Bloomberg

No Brasil, o avanço da vacinação e os sinais de estabilização da pandemia reduziram as tensões fiscais e políticas. As regras fiscais foram respeitadas no Orçamento 2021 e não se confirmou uma guinada populista, mesmo em um ambiente de maior competitividade política. Soma-se ao ambiente interno a expectativa de retomada econômica no 2° semestre, quando os analistas projetam que a economia global deve experimentar uma reabertura mais pronunciada. Há uma certa euforia com a superação da pandemia.

O ambiente exposto resumidamente acima justificou a recuperação da taxa de câmbio e do Ibovespa para os patamares observados ao fim de 2020. O alívio é bem-vindo! Além disso, o fluxo cambial para o Brasil é amparado no rali das commodities, fortemente representadas nas blue chips do Ibovespa, que está perto de testar os melhores patamares desde janeiro.

No entanto, é necessário cautela, pois aspectos importantes para a avaliação da nossa economia não melhoraram. O endividamento público do Brasil deixa nossa economia mais vulnerável a choques. Vamos listar alguns eventos que devem ficar no radar do investidor:

  1. O debate sobre política monetária nos EUA pode se intensificar no 2° semestre diante da velocidade da recuperação da atividade econômica, com resultados incertos sobre os mercados emergentes.
  2. No Brasil, incertezas políticas ganham peso no 2° semestre devido à corrida eleitoral.
  3. Os ativos domésticos operam como se o problema fiscal para 2021 tivesse sido superado com a aprovação do Orçamento. Ainda que tenha sido desenhado para evitar a ruptura do teto de gastos, a gestão do orçamento ao longo do ano vai ser difícil. Não pode ser descartada a possibilidade de faltarem recursos para áreas específicas.
  4. A pandemia ainda pode reservar surpresas, tanto no que se refere a novas ondas quanto à oferta de vacinas.

Embora os mercados oscilem entre pessimismo e otimismo, os ativos domésticos sugerem um quadro econômico mais otimista no curto prazo. Por enquanto não há motivos que sugerem uma ruptura, mas essa euforia pode ser amenizada na possibilidade dos eventos listados acima. Por tanto, acompanhe nossas publicações, mantenha-se informado e em contato com seu assessor.

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