“Semana Veedha – Tendência ou Oportunidade?”

Os números do mercado de trabalho nos Estados Unidos, divulgados na última sexta-feira (7), reiteraram a indicação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a manutenção de estímulos monetários por período prolongado para garantir a robustez no processo de recuperação econômica nos Estados Unidos.

O país registrou 266 mil novos empregos no mês, bem abaixo da mediana de 1 milhão prevista, e aumento na taxa de desemprego, de 6,0% para 6,1% entre março e abril.

O presidente dos EUA, Joe Biden, e a líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, aproveitaram a oportunidade para ressaltar a necessidade de aprovar os investimentos trilionários em infraestrutura e serviços sociais no país, pois, segundo eles, a aprovação aumentaria rapidamente a capacidade de gerar empregos.

Essas indicações de atuação da política econômica fornecem mais apoio à perspectiva inflacionária. Este cenário tende a dar suporte ao ouro, já que o metal é considerado um ativo seguro para fazer hedge em contextos de altas nos preços.

O ouro com entrega prevista para junho, com avanço semanal de 3,60%, está cotado em US$ 1.831,30 a onça-troy na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex). 

A queda do dólar ante moedas rivais serviu de suporte ao metal precioso, uma vez que o recuo da moeda americana o torna mais barato e, portanto, mais atraente a investidores que negociam em outras divisas.

O desempenho mais fraco do mercado de trabalho nos Estados Unidos em abril ampliou a perspectiva de alta inflacionária no país, por meio da acomodação monetária feita pelo Federal Reserve, o que tende a favorecer a commodity metálica.

Olhando para o real, a moeda americana, que chegou a acumular uma escalada de 12% em março, até sexta-feira (7) concentrava alta de apenas 0,77% em 2021.

A semana passada foi a mais positiva desde novembro, pois o real subiu 3,74%, no melhor desempenho entre todas as moedas mais líquidas do mundo. Importando a queda em escala global, tocou em R$ 5,2048.

Taxa de Câmbio e Risco Brasil

Fonte: Bloomberg 

Além da percepção de manutenção prolongada de estímulos monetários nos Estados Unidos, jogou a favor da liquidez a nova dose de alta de 0,75 ponto para a Selic, que pode deixar o País mais atrativo aos estrangeiros. 

Em junho, a Selic contratada é de 4,25%, o que fortalece a visão de que a moeda brasileira tende a se beneficiar do maior fluxo de capital externo por conta de taxas de juros do Brasil mais em linha com outros emergentes.

A expectativa de uma Selic entre 5,50% e 6% pode trazer de volta ao País operações de “carry trade, quando investidores internacionais tomam recursos em mercado de juro muito baixo para aplicar em outro de taxas maiores. 

Na América Latina, o México vinha sendo o preferido para este tipo de operação, com taxa de juros de 4%, o dobro da brasileira antes de o BC começar os aumentos.

Ranking Taxa de Câmbio Emergente – % Acumulado no ano

Fonte: Bloomberg 

Carry trade à parte, o que está favorecendo a recuperação do câmbio é a força das exportações domésticas e a rodada de captações externas e IPOs. Com esse fluxo, o dólar praticamente zerou o ganho frente ao real no ano.

Fluxo Cambial Brasil

Fonte: Bloomberg 

Tendência ou oportunidade? Numa leitura fria, acreditamos que a depreciação global do dólar não deve persistir.

Por isso, olhando para o cenário externo parece que esse movimento será temporário. Provisoriamente acalma as apostas de normalização da política monetária, mas não altera a perspectiva de recuperação econômica com um diferencial relevante entre os Estados Unidos e o mundo. 

Internamente, há uma série de fatores para acreditar numa janela de oportunidade e não numa tendência, pois os problemas não deixaram de existir: 1) fragilidade fiscal, 2) ruídos da CPI e 3) as dúvidas sobre o progresso da agenda reformista. A imprevisibilidade do cenário político é relevante, num piscar de olhos passamos de Suíça a Venezuela.

Um dólar próximo de R$ 5,20 tem sido integralmente sustentado pelo fluxo. Se o clima esquentar e o cenário político piorar, o fluxo do lado comercial não será afetado, mas o fluxo financeiro deixará de registrar entrada.

Olhando para o segundo semestre, colocamos aqui alguns fatores para o leitor refletir sobre a chance da manutenção de uma taxa de câmbio mais próxima de R$ 5 do que de R$ 5,50: 1) discussão recorrente da execução do Orçamento 2021, 2) o executivo entrega ao legislativo o Orçamento 2022 em agosto e 3) proximidade das tratativas para a eleição presidencial 2022. 

O contexto político torna o mercado financeiro no Brasil especialmente volátil. Por isso, mantenha-se informado e confie no seu assessor para navegar nesse cenário. Na Veedha, contamos com uma especialista em câmbio, que pode identificar a oportunidade e auxiliar nesse tipo de operação.

Assista ao Vídeo clicando AQUI

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