“Carta Mensal – “Tudo para quebrar o estigma de Maio na bolsa, mas o “bode está na sala”

Chegamos ao quinto mês do ano e, inevitavelmente, revivemos a expressão “sell in may and go away” (venda em maio e vá embora). Essa frase é especialmente famosa entre os investidores americanos, e refere-se à estratégia de vender suas ações em maio e voltar às compras só em novembro. 

Com as férias de verão no Hemisfério Norte começando em maio, uma das explicações mais comuns é a de que o estrangeiro se desfaz das suas ações para aproveitar as férias tranquilamente, sem se preocupar com o sobe e desce do mercado. 

No Brasil, não podemos atribuir as perdas exclusivamente ao comprometimento de liquidez com as férias nos Estados Unidos. Lembra de maio de 2017? Foi quando se tornou pública a delação premiada dos irmãos Batista, da JBS. Em maio de 2018 aconteceu a greve dos caminhoneiros, que acabou resultando no derretimento de 10,87% do Ibovespa.  

“Eu não creio em bruxas, mas que elas existem, existem!”. 

Coincidência ou não, maio é historicamente um mês ruim para os negócios na bolsa. Especificamente em 2020, isto não se confirmou, em virtude do tombo da bolsa em março (mês do início da pandemia) e dos estímulos monetários e fiscais globais subsequentes que sustentaram a expectativa de recuperação mundial. Naquele momento, “pior do que estava não ficava”.   

Retorno Ibovespa 

Fonte: Bloomberg


Agora, fica a dúvida para 2021. Afinal, a exceção não confirma a regra! Antes de explorar o cenário, e para manter-lhe motivado na leitura, antecipamos que o balanço é positivo para renda varável (ainda mais para o Ibovespa). 

Porém, as considerações a seguir são primordiais:  Não pense SÓ em maio. Sua carteira não será definida pelo que você fez em apenas um mês. É necessário ter visão de longo prazo. Isso não significa montar uma alocação e esquecer, deixar para ver o que acontece só daqui a muito tempo, mas, sim, aplicar em ações aquele dinheiro que não deverá precisar no curto prazo.  

Nunca colocar todos os ovos na mesma cesta. Você não pode ter ações de uma, duas, três empresas; é importante fazer uma diversificação setorial.  

Renda fixa e investimentos de liquidez para uma reserva de emergência. Se o “mito de maio” se confirmar, o investidor estará preparado para ir às compras. Sim, a alocação em bolsa pode ajudar na rentabilidade, pois os fundamentos microeconômicos apontam para essa condição.  

Se maio for ruim para as ações, você vai se dar mal mesmo só se se apavorar e sair vendendo tudo na baixa. Não se assuste com eventuais tropeços no meio do caminho. Se você não está preocupado com o desempenho das suas ações em um mês isolado e está interessado mesmo é nos ganhos de longo prazo, não precisa se preocupar.  

As férias são nos Estados Unidos. E o Brasil com isso? Cerca de 50% do dinheiro que gira na bolsa brasileira vem de estrangeiros. 
Ou seja, metade de tudo que se compra e se vende de ações diariamente por aqui. Então, essa máxima, quando trazida para nós, parte da possibilidade de que uma boa parcela está vendendo tudo. 

Não parece que será esse o caso, pois não estamos falando apenas de pessoas físicas, mas de instituições financeiras (incluindo grandes bancos e fundos) que não tiram férias.   

Volume Negociado no Mercado à Vista – Tipo de Participante 

Fonte: B3 / Elaboração: XP Investimentos


 A retirada do investidor estrangeiro seria mais pela deterioração do cenário político, que piora a perspectiva de progresso para a economia brasileira, do que pelas férias. 

Veja o retorno do fluxo de estrangeiros ao mercado acionário em abril. Para que essa entrada de recursos se concretizasse foram suficientes a finalização do Orçamento 2021 (ainda que a situação precária das contas públicas não tenha sido solucionada) e o reforço no discurso “pró” Reforma Tributária no Congresso.

O investidor estrangeiro voltou mesmo com um inquérito, em andamento, que investiga supostas omissões e irregularidades nos gastos do governo federal durante a pandemia da Covid-19. 

Fluxo do Investidor Estrangeiro na Bolsa (até 28 de abril) 

Fonte: B3 / Elaboração: XP Investimentos  


Para quem investe olhando um prazo maior, está barato comprar ações. 

Por que os especialistas estão falando tanto nisso?  O gráfico abaixo mostra que, atualmente, o Ibovespa é o único mercado, dentre os principais globalmente, que negocia com um múltiplo Preço/Lucro abaixo da média histórica. 

Preço/Lucro de Bolsas Globais 
Lucros projetados para os próximos 12 meses 

Fonte: Bloomberg / Elaboração: XP Investimentos 


Elas podem ficar mais baratas? A resposta é sim. Mas não podemos “apostar” com “mau agouro” à frente! Quais os percalços? 1) riscos políticos, 2) incertezas fiscais e 3) recrudescimento da pandemia.

No entanto, entendemos que, tirando o que foge da previsibilidade, as perspectivas são otimistas em relação às empresas brasileiras, e maio pode ser um bom momento para comprar no Brasil. 

No Brasil, o cenário macroeconômico derruba as ações de empresas que não têm fundamento microeconômico para esse movimento (pertinentes ao balanço da empresa e à perspectiva para o negócio ou para o setor) e acaba gerando oportunidade de compra. 

É por essa perspectiva que o investidor em ações deve se basear.  No médio e no longo prazo, o fator mais relevante para determinar o preço de uma ação é o quanto de lucro e caixa aquelas empresas geram. 

Após a forte queda ao longo de 2020, a projeção de Lucros para o Ibovespa está em recuperação.  Os fatores principais por trás da forte revisão de lucros: 1) otimismo com as vacinas e a reabertura econômica, 2) alta nos preços das commodities por causa do ciclo econômico global favorável e 3) o dólar alto.  

“No news is good news”  Os fundamentos microeconômicos justificam uma perspectiva positiva para as ações do Ibovespa.   

Expectativas de lucros do Ibovespa 
(Base 100 em 2020) 

Fonte: Bloomberg / Elaboração: XP Investimentos

O gráfico acima mostra que, atualmente, o Ibovespa é o único mercado, dentre os principais globalmente, que negocia com um múltiplo Preço/Lucro abaixo da média histórica. 

Os percalços: 1) riscos políticos, 2) incertezas fiscais e 3) recrudescimento da pandemia.   “Nenhuma notícia” é uma boa notícia no Brasil. 

Entendemos que, tirando o que foge da previsibilidade, as perspectivas são otimistas em relação às empresas brasileiras, e maio pode ser um bom momento para comprar no Brasil.  

Oportunidades de Investimentos Abril foi um mês de recuperação para os ativos brasileiros, tanto em renda fixa, com resultados positivos dos ativos prefixados e atrelados à inflação, quanto em renda variável, com o Ibovespa em alta de quase 3%. No exterior, a tendência positiva foi mantida, especialmente em renda variável. 

O desequilíbrio político em que o Brasil está mergulhado atualmente parece nos levar a um cenário desagradável no longo prazo. No entanto, é interessante notar que o Brasil tende a entrar em um momento melhor por causa de boas notícias no curto prazo, frutos da aceleração da vacinação, passagem da fase mais aguda da segunda onda da covid19 e realinhamento da Taxa Selic com nossos pares emergentes.  

Tudo isso terá muita força até meados do terceiro trimestre.  Fora do Brasil, o ciclo de crescimento global deve continuar, mas é muito importante dizer que entraremos em uma fase mais difícil para investidores, em que os mercados são mais erráticos e os retornos menores em relação aos últimos 12 meses.  

A Renda Variável Global é nossa principal defesa em um cenário adverso, no entanto seguimos também acreditando que existe uma boa oportunidade nos ativos que apostam na alta das commodities. Mantenha contato com o seu assessor para garantir que o seu portfólio esteja balanceado.  

As perspectivas de longo prazo devem guiar suas decisões de investimentos, mas é fundamental entender os fatores que podem trazer volatilidade no curto prazo e afetar a sua rentabilidade. 

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