“Semana Veedha – O mundo com mais inflação e o cenário para a Bolsa”

A aceleração da economia global em 2021 é consequência dos estímulos monetários e fiscais, principalmente das economias centrais. As estimativas de crescimento de 6,4% para os Estados Unidos e de 8,4% para a China são números importantes para economias, como a brasileira, que se beneficiam de um fortalecimento da demanda externa, além do apetite pelos investimentos mais arriscados.

Nesse texto, procuramos explicar as razões para a otimismo dos investidores com o Ibovespa: 1) a velocidade de recuperação da economia global; 2) a perspectiva de reabertura econômica após a vacinação e, 3) a resolução para o Orçamento 2021, que retira no curto prazo um fator de instabilidade (risco fiscal). Quando inserido na perspectiva global, o valuation baixo (o valor abaixo do seu preço justo, ou seja, do seu retorno potencial) atrai o olhar dos investidores estrangeiros. O risco, em relação a esse último argumento, seria os preços das ações caírem no exterior, mas não parece ser o caso.

A perspectiva de crescimento global após o impacto econômico da pandemia levou os investidores a acumularem ativos que geram ganhos em um ciclo econômico positivo; o termo “reflation trade” ganhou espaço na mídia e nas análises no último trimestre de 2020.

O “reflation trade” ou “negociações inflacionárias” é um método de negociação que visa lucrar com o aumento dos níveis de preços influenciados pela inflação ou expectativas de inflação futura devido à perspectiva de aquecimento da atividade econômica. Especialmente nos Estados Unidos, a política monetária afrouxada e a viabilidade de novos estímulos fiscais sob a presidência de Joe Biden serviram como combustível a essas apostas.

Inflação ao Consumidor (CPI) e Rendimento da Treasury de 10 anos – Estados Unidos

Fonte: Bloomberg

O fortalecimento da demanda global, principalmente nos Estados Unidos com os pacotes de Joe Biden, trouxe preocupação ao mercado financeiro com a trajetória da inflação e levou os investidores a trabalharem com a possibilidade de elevação dos juros pelo Federal Reserve antes de 2024, ano sugerido nos documentos de projeções da instituição.

Em conjunto, as commodities seguem apreciando e encarecendo os custos dos produtores. Após o anúncio do plano de investimento em infraestrutura nos Estado Unidos e o crescimento de 18,3% do PIB chinês no primeiro trimestre, as commodities encontraram novos fatores para resistência a uma depreciação.

Esses fatores fomentaram as apostas de um ambiente inflacionário nos últimos meses. Atualmente, a expectativa para a inflação nos Estados Unidos é acima de 2% nos próximos anos. Com a possibilidade de inflação em alta, o rendimento do Tesouro de 10 anos rompeu o patamar de 1,5%. Em certo momento, as altas nos rendimentos dos títulos públicos pressionaram as avaliações das ações, tornando-as menos atraentes.

As elevações nos rendimentos de longo prazo dos títulos públicos apertaram as avaliações das ações. Uma taxa de retorno livre de risco mais alta torna as ações menos interessantes. Entretanto, a inflação geralmente reflete a forte demanda econômica, o que fornece um grande impulso para os ganhos de curto prazo.

No mercado acionário, a inflação “favorece” ações cíclicas e mais sensíveis do ponto de vista econômico. Os setores financeiro, de energia e industrial são beneficiados. Para os bancos, os empréstimos são mais lucrativos quando as taxas de longo prazo são mais altas. A busca por petróleo e outras fontes de energia aumenta durante os períodos de expansão. As indústrias normalmente expandem a produção para atender demandas de infraestrutura dos empresários e de bens duráveis pelos consumidores durante os períodos de crescimento.

O risco da inflação no cenário global vem sendo monitorado pelos analistas. É um assunto que inevitavelmente será tratado no futuro, após a enxurrada de estímulos, e gera apreensão, pois o retorno da inflação levaria os Bancos Centrais e os governos a uma guinada de 180 graus nas políticas econômicas, elevando juros e retirando estímulos. Esse risco mexeu nos mercados acionários em Nova York no começo do ano, mas acabou sendo balizado pelo comprometimento com a conduta estimulativa das autoridades norte-americanas.

Ibovespa em US$

Fonte: Bloomberg

Portanto, sem a iminência desse risco em 2021, o cenário para o universo acionário nos próximos meses segue construtivo, especialmente para os mercados emergentes. A manutenção de estímulos mantém elevada a liquidez global e, considerando que os principais mercados acionários estão esticados, o cenário para o Ibovespa é favorável.

No Brasil, é quando “baixa” a poeira no cenário macroeconômico que o mercado volta a andar. Alguns fatores que sustentam a expectativa positiva são: 1) a exposição do Ibovespa às empresas cíclicas que se beneficiam do crescimento econômico (commodities), 2) valuations bastante atrativos, 3) crescimento de lucros promissores, e pelas projeções mais que dobrarão quando comparados a 2019; e 4) o Ibovespa está negociando com 50% de desconto em relação aos múltiplos (Preço/Lucro) da bolsa norte-americana, historicamente negociada a 25%.

Lógico que as questões de cunho fiscal e político permanecerão como obstáculos e, muitas vezes, justificam o deslocamento para outros emergentes. Mas o contexto microeconômico do Ibovespa é bem diferente e promissor.

No bate-papo entre o Head de Renda Variável da Veedha, Rodrigo Moliterno, e o Estrategista Chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira, eles abordam alguns aspectos para o otimismo com o Ibovespa que pode encerrar 2021 em 135 mil pontos.

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