Veedha ESG – Dia Internacional da TERRA .

Por: Luiz Fernando Quaglio

“A lentidão da mudança climática é um conto de fadas, talvez tão pernicioso quanto aquele que afirma que ela não existe, e chega a nós em um pacote com vários outros, numa antologia de ilusões reconfortantes…”

                                                                                       (David Wallace-Wells em “A Terra inabitável”)

Dia 22 de abril é dia da Terra. Dia de reafirmarmos nosso compromisso com o futuro do planeta.

A data, que nasceu nos anos 70 nos EUA, incentiva a conscientização sobre as questões da degradação da biodiversidade, da extinção das faunas marinhas e terrestres, e todas as consequências socioambientais causadas pelas mudanças climáticas desencadeadas pela emissão de gases poluentes lançados na atmosfera em escala global.

Em 2021, a data é marcada pela urgência. Entramos na chamada “década da ação”. Um ano após o início da pandemia da Covid-19 e um dos mais quentes registrados na história, não há mais espaço para Estados, empresas e sociedade civil procrastinarem ações que repercutam numa mudança estrutural na forma de se produzir, consumir e investir. Estamos próximos do “ponto de não retorno” para o planeta. Os próximos anos podem ser a última chance para o mundo iniciar uma ação global integrada, com base em metas de curto prazo, na tentativa de resolver problemas críticos que se avolumam e que podem se tornar irreversíveis.

Entre os dias 22 e 23, ocorre a Cúpula do Clima, evento promovido pelo presidente Joe Biden direto da Casa Branca. Serão 40 líderes globais convidados a discutir medidas que tornem a “Mudança Climática” uma prioridade para o mundo. No centro das discussões, ações de preservação ambiental serão amplamente discutidas. O Brasil, um país dono de grande patrimônio ambiental, é um dos centros do debate. Com risco de sanções, bloqueios comerciais e desinvestimento estrangeiro, o governo brasileiro será bastante questionado e cobrado para que adote medidas pró-ambientais de curto prazo.

Para além dos gravíssimos problemas de desmatamento, inviabilização e improbidade das estratégias de proteção e conservação da biodiversidade, o Brasil tem em mãos uma oportunidade única de ser protagonista de um processo pioneiro de desenvolvimento. O país já possui a matriz energética mais limpa e competitiva do mundo, e gera a energia renovável (solar e eólica) mais barata do planeta. O potencial é enorme e requer um plano estratégico visando reconfigurar estruturas de emissão de CO², gases poluentes, incentivos a pesquisas em inovação e tecnologia. Enfim, um plano orquestrado de produção que transforme a “floresta em pé” em ganhos sociais diretos, convertendo um ambiente propício ao investimento de longo prazo (inclusive estrangeiro) em serviços e produtos. Tudo isso gerando renda e empregos “verdes” de forma descentralizada.

As consequências de uma estratégia nacional “social green” materializariam uma agenda de discussões com potencial de tornar marcos regulatórios mais amigáveis ao empreendedorismo inclusivo, regionalizariam a renda e tornariam a produção escalável e rentável, contando com a demanda das novas gerações por um consumo mais consciente e o “apetite” de investidores Institucionais pela prospecção por negócios disruptivos e de impacto positivo. Nesse cenário, a diversidade socioambiental do Brasil firma-se, portanto, como uma oportunidade real para a superação das desigualdades rumo ao desenvolvimento sustentável.

Para tanto, a forma de se fazer negócios precisa ser transformada, e rápido. Com o acesso a investimentos responsáveis e sustentáveis temos, finalmente, a oportunidade de financiar esse processo, encerrando velhos ciclos de degradação e destruição e dando sobrevida ao Planeta TERRA com geração de riqueza e rentabilidade.

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