Economila – “Sondagens e Índices de Confiança”

Os indicadores de confiança e pesquisas de sondagens produzem sinalizações de tendência econômica com muita rapidez, geralmente no próprio mês da coleta de dados. São mundialmente utilizados como indicadores antecedentes de atividade econômica, pois, como são elaborados e divulgados rapidamente, tornam-se ferramenta essencial à análise de conjuntura e à tomada de decisão nos âmbitos público e privado.

Esses índices são uma ponderação entre a avaliação da situação atual (ISA) e a avaliação da expectativa (IE) para os próximos seis meses. Eles são elaborados a partir da consolidação das respostas de sondagens junto a grupos específicos de agentes e buscam aferir a percepção subjetiva desses agentes em relação a sua própria situação econômica (ou da empresa) e à do país.

Quais são os índices mais acompanhados e quem produz?

  • Sondagem da Indústria (Ibre/FGV e CNI): estão enquadrados, por exemplo, os quesitos relacionados ao nível de utilização da capacidade instalada e ao contingente de mão-de-obra, estoques, situação dos negócios e produção.
  • Sondagem do Consumidor (Ibre/FGV e CNI): a pesquisa obtém avaliações e previsões dos consumidores a respeito da situação econômica local e da própria família no momento da pesquisa e nos seis meses seguintes, além do mercado de trabalho e sobre intenções de compras de bens de alto valor nos seis meses seguintes, além de outras perguntas.
  • Sondagem de Serviços (Ibre/FGV): aborda temas como a situação dos negócios, volume de demanda, faturamento, preços e contingente de mão-de-obra.
  • Sondagem do Comércio (Ibre/FGV): abrange temas como a situação dos negócios, volume de demanda, faturamento, compras, acesso ao crédito e contingente de mão-de-obra.
  • Sondagem da Construção (Ibre/FGV): compreende temas como a situação dos negócios, volume de demanda, faturamento, compras, acesso ao crédito e contingente de mão-de-obra.

Leitura do Nível de Confiança 

Fonte: IBRE / FGV

As leituras acima de 100 pontos indicam o resultado como favorável (satisfação ou otimismo); abaixo de 100 pontos, como desfavorável (insatisfação ou pessimismo). 

Como funciona a avaliação na prática? O contexto do cenário econômico no Brasil através dos índices. 

O agravamento da pandemia já se reflete em dados sobre o desempenho dos setores de comércio e serviços no mês de março e reforça a expectativa de uma piora na economia no primeiro trimestre do ano. Esses índices sinalizam que o Produto Interno Bruto (PIB) no 1° trimestre de 2021 será muito pior que o observado no 4° trimestre de 2020.

Há pouco mais de um ano dos primeiros impactos da pandemia, os dados voltaram a indicar uma piora em março de 2021. O recrudescimento recente da pandemia de covid-19 exigiu a adoção de medidas de restrição à circulação, que ajudam a explicar o cenário negativo. Em 2020 houve melhora após as medidas econômicas, em 2021 o governo não tem espaço para incentivos então a melhora depende do programa de imunização para a retomada das atividades econômicas. 

Índices de Confiança da FGV

Fonte: Bloomberg

Podemos ilustrar a mecânica desses indicadores pelo Índice de Confiança do Comércio da Fundação Getúlio Vargas, que caiu de 91 para 72,5 pontos em março; menor valor desde maio de 2020, quando estava em 67,4 pontos. No ano passado, o indicador chegou ao ponto mais baixo em abril (61,2 pontos) e se recuperou até alcançar 99,6 pontos em setembro, praticamente retornando ao nível pré-crise. Aquele foi o último mês com o auxílio emergencial no valor de R$ 600. 

Depois, a confiança iniciou uma trajetória de queda, pois o comércio teve que paralisar as atividades físicas, comprometendo muito o faturamento, pois o comércio online não é a realidade de todas as varejistas. É possível notal o sentimento das varejistas que piorou muito com a notícia de paralisação, a confiança do comércio sofreu mais que a confiança do setor de serviços, que foi o mais afetado pela pandemia. 

A confiança do Comércio antecipa a leitura para um dado divulgado pelo IBGE, Vendas no Varejo, que inclusive abastece a construção para a mensuração do Produto Interno Bruto (PIB). Como no mercado financeiro os investidores procuram antecipar os fatos, esse indicador já produz aos investidores uma leitura preliminar tanto sobre o setor, interessante tanto para os que investem em empresas do setor através do Ibovespa, quando para a atividade econômica como um todo. 

A mesma analogia pode ser feita para outros setores, como serviços, indústria, construção. No caso do acompanhamento do sentimento do consumidor, por exemplo, os dados indicam suas decisões de gastos e poupança futuras, constituindo indicadores úteis na antecipação dos rumos da economia no curto prazo. Piora da inflação, elevação dos juros, aumento do desemprego e diversas outras situações que comprometem a renda familiar são traduzidos pela piora da confiança do consumidor. 

Onde buscar os dados? 

No site do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE) você pode acompanhar as informações que são divulgadas mensalmente: https://portalibre.fgv.br/

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