“Carta Mensal – “Quando o caldo fica mais caro que o peixe?”

O que carregamos do 1° trimestre? Nada diferente dos anteriores, um quadro fiscal que vai de mal a pior. O risco fiscal e a deterioração do ambiente político no Brasil são uma constante. Então, vamos explorar o que pode melhorar no 2° trimestre? 

Popularidade em queda livre, pandemia no auge e pressão dos setores de elite da sociedade. O Congresso colocou o governo de joelhos; o custo para alcançar a estabilidade política ficou ilustrado na apelidada “dança das cadeiras” dos ministérios. Um risco igualmente óbvio ficou desenhado no Orçamento: a base governista mostrou como zelar pelos seus redutos eleitorais, com as emendas parlamentares.

O cenário político resume-se, neste momento, a um governo enfraquecido e um Centrão que cobra caro pelo apoio. O modus operandi nós conhecemos: eles pressionam por mais gastos e quando o “caldo azeda” saem do barco.

Encerramos o trimestre sem a resolução do Orçamento 2021 (apelidado de “fura-teto”). No radar, emendas parlamentares (convenientes à corrida pré-eleitoral) acomodadas pela redução de despesas obrigatórias (sem explicação clara). Os investidores monitoram o desdobramento devido ao apontamento dos especialistas sugerindo contabilidade criativa, passível de um processo de impeachment.

O gráfico abaixo mostra a razão de tanta apreensão com o tema. O Brasil precisa indicar a reversão da trajetória da Dívida Bruta. Ela é uma das referências para a avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País.  

Dívida Bruta (% PIB)

Fonte: Banco Central 

Se não for com emendas, novos cargos poderão ser negociados para acomodar o Centrão: Ricardo Salles (Meio Ambiente), Milton Ribeiro (Educação), Bento Albuquerque (MME) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura).

O diagnóstico de uma doença não é uma sentença de morte. O Brasil é um enfermo. Cientes da volatilidade a que os ativos domésticos estão sujeitos, pelos efeitos adversos da bactéria política, ampliamos a consciência sobre as escolhas de investimentos e prazo. 

Estados Unidos puxam o otimismo com atividade econômica global. Não faltam motivos para acreditar nas commodities.

Quem pode, pode! Para os Estados Unidos, março começou com a aprovação de US$ 1,9 trilhão do pacote fiscal norte-americano. Além disso, o Federal Reserve elevou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% para 6,5% em 2021 e segue reafirmando que, mesmo com a inflação caminhando acima de 2% (meta de inflação nos EUA), não pretende elevar os juros até 2024.

Março encerrou com o pacote de infraestrutura de US$ 3 trilhões. Parte será financiada pela elevação de 28% na alíquota de impostos das empresas, revertendo o grande corte de impostos da era Trump. Mais um movimento de Biden para acelerar a recuperação econômica americana no pós-pandemia. Vamos aguardar a tramitação no Congresso.

Sem contar que mais de 100 milhões de doses da vacina já foram administradas e Biden quer 200 milhões até o fim de seus cem primeiros dias.
O que isso significa para os ativos?

1. Taxa de câmbio: O novo pacote de estímulos, apesar de positivo para a economia, reforçou no mercado o temor de maior inflação, causando uma alta dos juros longos. O movimento fortalece o dólar. Principalmente contra moedas emergentes, que usualmente são mais voláteis.
2. Ibovespa: Siderúrgicas e mineradoras podem ser positivamente impactadas com o avanço do pacote. Ficar de olho em empresas que têm exposição bem importante à infraestrutura e empresas que têm parcela da sua receita proveniente dos Estados Unidos. 

Por aqui, a picada (da vacina) para retomada da atividade econômica

Os gastos do consumidor despencaram ano passado. À medida que a vida lentamente retorna à normalidade, há potencial de recuperação de setores extremamente prejudicados, como mobilidade e entretenimento que respondem às atividades ligadas a férias, shows, jantares, viagens e roupas.

A expectativa com o cronograma de vacinação indica que a recuperação virá com mais força no segundo semestre. Os ativos domésticos embutiram nos preços a lamentável situação da pandemia no Brasil; a fatalidade na saúde e na economia com a paralisação das atividades. Contornado o quadro atual, a indicação do processo de vacinação é positiva. É nessa aposta que os investidores estão de olho. 


Quando os países alcançarão uma ampla cobertura?

Fonte: The Economist

A Eurasia Group divulgou que o Brasil já tem 424,9 milhões de doses contratadas de vacinas como Coronavac, Oxford e Sputnik, além de outras 168 milhões de doses em negociação com Moderna, Janssen e Pfizer. O total chega a 592 milhões de doses, que seriam suficientes para imunizar todos os brasileiros. Porém, instituições mensuram que o Brasil conta com cerca de 40 milhões de doses efetivamente entregues.

Lógico que não é tão simples assim! Os riscos giram em torno da importação das vacinas, dos insumos e da perspectiva de que o imunizante seja produzido em território nacional. Fora isso, ainda ficará no radar a eficácia da vacina contra as novas cepas dos vírus.

A depender da resolução do Orçamento 2021, e se a perspectiva para vacinação se mantiver positiva, para saber se há espaço para uma recuperação tanto da bolsa quanto do real.

Na bolsa, a taxa de câmbio desvalorizada pode contribuir para os investidores estrangeiros reverterem algum fluxo de outros emergentes para o Brasil. Esse fluxo pode favorecer na melhora da nossa taxa de câmbio. Se, adicionalmente, não houver interferência de ruído político, a taxa de câmbio poderia retornar para patamares de R$/US$ 5,40. 

Oportunidades de investimentos 

Os títulos públicos indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) com prazos de vencimentos maiores do que cinco anos, usados como base de cálculo do IMA-B5+, vêm apresentando desvalorização diária desde o dia 18 de março, um dia após o anúncio de alta da Selic para 2,75%. Isso tem levado a perdas no IMA-B5+ e muitos questionamentos em relação aos ativos e fundos com este índice como benchmark. Apesar da correção na inflação implícita, o Banco Central mais contracionista ajudou a diminuir as expectativas inflacionárias. Acreditamos que algumas posições em ativos que protejam da inflação ainda seguem contribuindo para a preservação do patrimônio nesse início de ciclo de aperto monetário, porque existe um risco de a inflação ainda nos surpreender para cima.

Os investidores com perfil mais arrojado podem buscar alternativas nos ativos mais longos.

Já os mais cautelosos devem buscar os ativos mais curtos ou nos fundos de inflação com esse perfil

.Juros em alta. Inflação em alta. Como esse “velho normal” irá impactar a nossa Bolsa?

Alguns segmentos acabam sendo beneficiados por juros mais altos, assim como ocorre no mercado financeiro como um todo. A princípio, bancos e seguradoras tendem a ser positivamente favorecidos, enquanto varejo e construção civil devem sofrer impacto negativo.

Em muitas situações, se a economia global está aquecida e em crescimento, existem boas chances de parte do mercado brasileiro ser naturalmente ajudado, como por exemplo o setor de commodities. Nesse cenário, os fundos de renda variável e os fundos multimercados que investem nessas commodities e em ativos internacionais serão positivamente impactados.

Porém, alguns setores mais sensíveis à alta nas taxas de juros, como Setor Elétrico e Imobiliário, têm enfrentado dificuldades.

No mês de março, o índice Ibovespa subiu +6,0% em reais (R$) e, com o dólar forte, +4,1% em dólares (US$). Porém, no ano, a Bolsa brasileira continuou a se descolar dos mercados globais, e acumula queda de -2,0% em reais (R$) e -10,8% em dólares (US$).Confira como os principais índices fecharam no mês: 

FECHAMENTO

Fonte: Broadcast Estado

Internacional 

A vacinação em massa permitirá uma reabertura econômica, mas o mundo não é mais o mesmo. Estas transformações impactarão diretamente as empresas e seus negócios, tornando essencial para o investidor, com um olhar de longo prazo, estar atento para evitar os riscos das “armadilhas de valor”, ajustando suas posições de acordo com sua visão estrutural de cenário.

Sabendo que as oportunidades de investimentos são sempre relativas, acreditamos que o crescimento da economia brasileira não conseguirá acompanhar o desempenho do resto do mundo. Fundos Internacionais e COEs podem traduzir essas oportunidades.

Entre em contato com seu assessor e solicite um horário para conversar sobre o seu portfólio.

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