“Contra fluxo não há argumento”

O contexto das políticas econômicas estimulativas como resposta para a crise econômica é a justificativa para a expressão que intitula este texto: “Contra fluxo não há argumento”. O interesse global por ativos de risco é explicado pelo cenário de ampla liquidez, com políticas de estímulos fiscais e monetários pelo mundo, e perspectivas de retomada econômica com a chegada das vacinas.

A expectativa de manutenção das taxas de juros reais negativas ou próximas de zero por um período prolongado, ao menos nas economias desenvolvidas (Estados Unidos, Zona do Euro, Reino Unido e Japão), ajuda a explicar os recordes históricos do mercado acionário internacional; os investidores buscam rentabilidade em um cenário desafiador.

Os mercados desenvolvidos surfaram essa onda primeiro. A Nasdaq, cuja composição engloba empresas de tecnologia – e que despontaram pelo caráter da crise de saúde –, foi um exemplo. Outras bolsas de Nova York e Japão também seguiram batendo recordes.

Índices de Bolsa em US$

Fonte: Bloomberg

A repercussão da retomada econômica também dos emergentes, como a China, impulsionou o apetite por commodities e semicondutores, Também contribuiu para a capitalização de mercado e fez todas as ações negociadas em Xangai e Shenzhen superarem os US$ 10 trilhões, cenário visto a última vez em 2015. O mercado de ações na China é o segundo maior no mundo, embora seja bem menor que o dos EUA, que é de quase US$ 39 trilhões.

Com a retomada da atividade econômica global, houve um descasamento entre oferta e demanda de insumos e, consequentemente, uma pressão nos preços das commodities, que beneficiou o Brasil, cuja exposição ao Ibovespa do setor ainda tem relevância. Apesar da redução da importância na última década.

Ibovespa (US$) e Commodities (CRB)

Fonte: Bloomberg

Os mercados emergentes, atrasados na retomada, mostraram-se como oportunidade e desfrutaram do fluxo; no Brasil concentrado no último trimestre de 2020. Coincidentemente, com a desvalorização da taxa de câmbio, o mercado brasileiro tornou-se atrativo, com companhias brasileiras ainda descontadas. Para que tem dólar, o Ibovespa está em promoção.

A retomada dos gringos no Ibovespa, desde outubro, corroborou com a melhora da taxa de câmbio. Não foi fundamental, pois as indefinições no cenário político e fiscal seguem prejudicando a perspectiva para a economia brasileira. Indiscutivelmente, o ingresso do investidor estrangeiro contribuiu para o arrefecimento do dólar.

Taxa de Câmbio (R$/US$)

Fonte: Bloomberg

A pergunta do momento é: há espaço para manutenção de uma perspectiva positiva para a bolsa? E a resposta é sim. O gráfico abaixo mostra que o Brasil ainda está longe da máxima histórica quando se considera em dólar a cotação do Ibovespa, somado ao fato de que não andou como outros mercados emergentes – trouxemos o MSCI de Mercados Emergentes no gráfico, índice que agrega o desempenho de 26 emergentes.  Mas alertamos que nesse percurso haverá emoção. Afinal, o cenário político no Brasil é muito ruim.

Ibovespa e MSCI de Mercados Emergentes

Fonte: Bloomberg

O aumento recente dos juros dos Treasuries e uma apreciação do dólar frente às dívisas do G10 representam sinais de alerta para a continuidade do movimento da renda variável e do tamanho do fluxo a mercados emergentes. Neste momento, o movimento não parece uma tendencia. Isso aconteceu porque os invetidores acreditaram que o governo Joe Biden irá injetar muito dinheiro na economia por meio de assistencialismo.

Na teoria econômica, uma política fiscal estimulativa aquece a demanda e gera pressão inflacionária, levando o Banco Central a subir o juros – daí a justificativa para os Treasuries terem avançado.

Não é incondicional a irrigação fiscal nos EUA, e o Congresso deve aparar as propostas de Joe Biden. Sabemos que no médio prazo haverá uma preocupação com a retirada dos estímulos econômicos, mas não é uma discussão que terá início em 2021, pois é recente o processo de vacinação e exigirá ainda esforço das políticas fiscais nas economias desenvolvidas (os governos dessas economias possuem mais espaço que os emergentes para seguir aumentando gastos) para sustentar a recuperação da atividade econômica.

Retornando para o Ibovespa, o principal motor para a valorização é a recuperação dos lucros em 2021 e 2022 nos chamados “setores cíclicos”, que costumam seguir a tendência da economia do país e detêm os maiores pesos do índice, como materiais básicos, energia e finanças.

Fora isso, o fluxo de notícias positivas sobre a reabertura da economia deve beneficiar os setores mais impactados pela pandemia, que ainda estão muito abaixo do desempenho do Ibovespa acumulado no ano.

Fluxo do Investidor Estrangeiro no Ibovespa

Fonte: B3

Concluímos amparados na tese de que os prêmios das economias desenvolvidas estão diminuindo, o que justifica uma manutenção do fluxo estrangeiro ainda que o pano de fundo no Brasil não seja positivo. A situação fiscal é um risco. No entanto, enquanto a deterioração fiscal permanecer contida, a bolsa desfrutará dos recursos estrangeiros.

Na Veedha, a mesa de renda variável é composta por seis assessores, e juntos somam 148 anos de mercado – o único circuit breaker em que não estiveram presentes foi o de 1929. Para um tipo de investimento mais arriscado como este, contar com a experiencia do time é essencial para a condução das suas decisões.

Acreditamos que informação gera a melhor decisão.

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